segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Portugal na televisão


Depois do prof. Lagoa Henriques, com os seus programas televisivos "Portugal, Passado e Presente" (era um programa divinal, com intervenções fantásticas deste grande pedagogo recentemente falecido, infelizmente não encontrei nenhum episódio seu no You Tube) e "Lisboa revisitada" e de José Hermano Saraiva , com os seus "Horizontes da Memória" e a "A Alma e a Gente", eis que surge um novo e original programa sobre as cidades- sua história e cultura, desta vez na RTP-N, denominado "O Humor e a Cidade" de José de Pina.
Com uma história tão rica, com cidades com tanta coisa para contar, estes programas televisivos são uma autêntica pedrada no charco no mar de ignorância e indiferença que sufoca o país.

Invasão no castelo de Castro Marim

Os dias medievais de Castro Marim são como entrar numa autêntica máquina do tempo.
Vale a pena visitar.
Só é pena que, na altura em que os programas musicais e culturais começam a ficar mais atractivos, desatem a chover carradas de espanhóis, melgas e mosquitos que nos obrigam a ter de fugir de bandeira branca em punho....

Nunes na selecção

Apesar da invasão de brasileiros e outros estrangeiros no campeonato português, a selecção portuguesa ainda tem alguma matéria prima para trabalhar, sobretudo no estrangeiro.
Por exemplo, o caso de Nunes que se tem revelado na Liga Espanhola como o patrão da defesa do Palma de Maiorca, responsável, por exemplo, pelo empate hoje com o Real Madrid.
Para quando Nunes na selecção, em detrimento, por exemplo de Rolando que já demonstrou insegurança e falta de solidez ?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Queda da Monarquia


Devo confessar que tenho alguma estima e admiração pela socióloga Maria Filomena Mónica. Além de ser uma mulher extremamente culta, tem uma certa aptidão para o estilo biográfico que me atraí bastante.

Parece-me muito importante que se faça o registo da vida das pessoas e da nossa história de forma a que as gerações vindouras possam saber o que se fez de bem, de mal e, se possível, evitar que caíam nos mesmos erros.

Comecei, aliás, a ler com entusiasmo a sua autobiografia "Bilhete de Identidade" que estava a adorar até que me deparei com o desvendar da sua vida intíma e afectiva. Por uma questão de deprimência e pudor, fiquei-me logo por aí.


Li agora a reedição do seu livro "A queda da Monarquia- Portugal na viragem do século", da D.Quixote que contém um acervo de fotografias muito giro e é precedido por um pequeno texto introdutório sobre a queda da monarquia e a ascensão da República.


Nas suas obras, além de um notável trabalho de investigação, Maria Filomena Mónica não demonstra qualquer hesitação em associar a parte científica à sua opinião pessoal sobre os factos que esteve a relatar/investigar.

No texto introdutório a este livro, porém, não deixa de ser chocante que a mesma afirme, por exemplo, que o funeral do rei e do princípe herdeiro tenha ocorrido com as ruas de Lisboa DESERTAS. Trata-se de uma falsidade que pode ser, aliás, facilmente comprovada no vídeo deste meu post, onde, por estima ou mera curiosidade, se pode atestar o número significativo de populares que estiveram presentes no cortejo fúnebre.


Também me parece tendencioso dar a entender que a culpa do atraso do país que descreve, de forma convincente, é exclusiva do regime monárquico.

Se olharmos para os primeiros anos da República ou até para o regime de Salazar, veremos que ambos esses regimes fracassaram igualmente em muitas das áreas onde a monarquia também já tinha fracassado.

Aliás, não deixa de ser curioso que a descrição que o último primeiro-ministro da Monarquia, Teixeira de Sousa, faz do país, ainda hoje, em áreas como a educação, agricultura, indústria e finanças pública se mantenha praticamente igual à época pré-republicana:

"Este país, que querem fazer passar por agrícola, mas que não produz sequer pão, nem carne para a alimentação pública, e por industrial, mas que, em regra, produz caro e mau, é tributário de países estrangeiros por dezenas de milhares de contos, que representam o excesso das importações sobre as exportações (....). A situação da Fazenda Pública é gravíssima. O orçamento deste ano corre com um déficit de cerca de seis mil contos, acompanhado de uma dívida flutuante de oitenta mil. Tudo está hipotecado, desde o rendimento das Alfândegas até aos últimos títulos emitidos pela Junta de Crédito Público (...)"
Cfr. A Queda da Monarquia. Págs. 31 e 32


Uma última nota para uma lacuna que empobrece a ilustração das dezenas de fotografias que fazem parte da 2ª parte deste livro- praticamente nenhuma delas tem a referência ao ano a que diz respeito, o que teria sido muito interessante para o leitor.

domingo, 8 de agosto de 2010

Os homens e as lides domésticas



Há uns tempos atrás vi um documentário sobre a crise da natalidade e da família e, a dada altura, uma professora norte-americana dizia que uma das causas radicava na maior e inata imaturidade dos homens. Confesso que, ao princípio, fiquei um pouco surpreendido, mas depois a professora explicou que os homens apresentam uma menor capacidade para resolver a ajudar nos problemas domésticos e educativos da casa de família e que, por isso, a mulher sentia-se mais desamparada e optava ou por não ter filhos ou por optar pelo divórcio.
Segundo um recente estudo da London School of Economics, do Reino Unido, os casais onde o homem se envolve mais nas tarefas domésticas têm menos probabilidades de se divorciar.
O estudo demonstrou que os casos em que a mãe é doméstica e o marido trabalha, mas não ajuda em casa ou nos casos em que a mãe trabalha e o marido não ajuda em casa são os que implicam um maior risco de divórcio, sendo os que implicam menor risco de divórcio aqueles em que a mãe é doméstica e o marido, embora trabalhe, ajuda em casa.
Isto significa que compartilhar as tarefas em casa fortalece o casamento. Porém, os seus resultados não permite afirmar que a maioria das mulheres queiram necessariamente um modelo "igualitário" (50-50) na repartição das tarefas domésticas entre o homem e a mulher.
O estudo refere ainda que, em casais jovens com filhos pequenos, quando o pai não ajuda em casa e o casamento se desfaz, o divórcio provoca graves consequências sobretudo do ponto de vista económico, agravando ainda mais as dificuldades próprias das jovens mães que ficam sem parceiro e com menor suporte financeiro para fazer face às despesas.
E concluí que, nos vários estudos e análises sobre divórcio, tem-se dado um relevo excessivo às consequências negativas decorrentes da introdução da mulher no mercado de trabalho remunerado e, ao invés, tem-se esquecido praticamente em absoluto as consequências positivas que decorreria da maior participação do homem nas tarefas não remuneradas de natureza doméstica e educativa no seu próprio lar.
Este panorama atávico de menor presença do pai/marido/companheiro nas lides domésticas e no cuidar e educar dos filhos- ao qual se poderá acrescentar as inúmeras situações de violência doméstica - demonstram que muito há ainda a fazer na revolução destas mentalidades anacrónicas, mais próprias da idade média.
Muitos homens, diga-se, não têm qualquer experiência de apoio nas lides domésticas ou educativas porque as suas próprias mães nunca lhes transmitiram esses hábitos. Por outro lado, muitas mulheres assistiram, em suas casas, à total submissão das suas mães que, em muitos casos, estavam reduzidas pelos maridos a meras criadas de mesa e, por isso, acham normal que, consigo, aconteça o mesmo.
A participação dos homens nas lides domésticas e na educação dos filhos, a meu ver, não decorre somente da necessidade de apoiar a mulher, sobretudo se é trabalhadora. Sem dúvida que isso é importante. Mas, no caso do cuidar dos filhos (dar banhos, deitar, ajudar a comer, a ir à casa de banho, etc...), essa participação só traz vantagens para o próprio homem na medida em que o torna mais próximo dos filhos e contribuí para o reforço de uma relação de intimidade e cumplicidade que habitualmente quase sempre só ocorre com as mães, ou seja, o próprio homem-pai fica a ganhar com essa maior presença no lar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Balanço do mundial

No passado mês de Junho, pudemos assistir ao campeonato do mundo de futebol da África do Sul. Se olharmos para o comportamento das várias selecções, poderemos identificar 5 tipos diferentes de equipas.
As equipas que foram participar no torneio, mas que acabaram por assumira um comportamento suicida e indisciplinado, caso da selecção da França.
As equipas que pretendiam ir o mais longe possível, mas cujas prestações em campo acabaram por não corresponder a esse seu desejo, acabando por ser eliminadas nas fases anteriores, casos de Portugal, Itália ou Inglaterra.
Depois existiam equipas que queriam ir o mais longe possível e que, de facto, apesar de algumas limitações em relação a outras mais fortes, com mais ou menos sorte, acabaram por fazê-lo, caso do Uruguai ou da Holanda.
Depois havia a Alemanha que actuou de forma fria e compacta durante todo o campeonato, levando à prática de forma demolidora, mecânica e quase cínica os seus objectivos
E, por fim, a equipa vencedora do torneio, a Espanha que começou com uma derrota que, em vez de a desanimar, a incentivou para uma campanha vitoriosa e os seus jogadores, além da arte e engenho, entravam em campo dominados pela famosa “fúria espanhola” que é mais do que uma simples motivação. É uma fúria que tem “ganas” de dar o tudo por tudo, se necessário, deixar a pele e o corpo em campo até à vitória final.
Na forma como encaramos a nossa vida, também nos pode acontecer , a de quase suicídio, como a França; a do que quer, mas não pode; a do que pode, mas não quis de forma suficiente e a do que podia e quis de forma furiosa vencer. Uma coisa é certa, agora, depois do campeonato do mundo, só conta mesmo o vencedor, dos outros pouco ou nada se falará.

domingo, 25 de julho de 2010

O Barão vermelho

Os alemães vão, a pouco e pouco, saíndo da casca e, após dezenas de anos como vilões, começam a fazer os seus primeiros filmes de guerra onde eles próprios surgem como heróis.
Agora, foi a vez do Barão Vermelho, Manfred von Richthofen- herói da 1ª Grande Guerra Mundial totalmente produzido por alemães.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

95% de pudim

Sobre o "pudim", isto é, a vontade ou a falta dela, recomendo vivamente a breve crónica de hoje, na Antena 1, da Profª Isabel do Carmo.
Diz a especialista que um estudo apurou que apenas 5% do que comemos é fruto de uma vontade deliberada e consciente. Os restantes 95% são o resultado de comportamentos induzidos e condicionados pela publicidade, instintos, etc..
Vale a pena ouvir, aqui

COM PESO E MEDIDA - Debate/Opinião Antena 1 - Multimédia RTP

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gula

Um post interessante, acompanhado com um excerto engraçado do canal Historia sobre a problemática da gula nos dias de hoje.

Aqui


Delírio legislativo

O art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa da seguinte forma:

Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos--Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção: ........................


Pode ser confirmado no site Diário da República.


Se alguém procura as causas do estado do País, talvez encontre parte delas na fúria legislativa !!
(Recebida por e-mail)

Mel Gibson em desgraça


É com grande decepção que assisto a uma nova fase negativa da vida de Mel Gibson.

Depois de uma recaída no seu vício de longa data, o alcoolismo, e um inevitável afastamento da sua mulher, seguiu-se uma aventura com uma pessoa um pouco estranha, uma gravidez certamente não desejada e, agora, ao que parece agressões e ameaças (disponíveis em audio aqui)


O exorcista do meu post anterior certamente diria que o Demo não terá gostado muito dos efeitos do filme "A Paixão de Cristo" e toca a atazanar a vida do Mel que, na realidade, está um autêntico inferno.


Isto prova que o maior Santo, em vida, pode-se sempre tornar no maior diabinho e vice-versa.


Até chegar à nossa hora, tudo é possível.


P.S.- Encontrei este artigo interessante sobre Mel Gibson e o paralelismo com Caravaggio -um dos artistas mais admirados por Mel Gibson.

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre a existência de espíritos malignos


Entrevista interessante ontem, na TSF, a um exorcista espanhol, disponível on line aqui.
Como o entrevistado dizia, raros são os pontos onde há tanta unanimidade entre as religiões: desde as religiões nativas indías, passando pelo Budismo, Islamismo e Cristianismo, todas reconhecem a existência de espíritos malignos.
Um assunto que será certamente um motivo de troça e chacota por parte dos racionalistas, materialistas e agnósticos.
Pero que los hay, hay...
P.S.- Mel Gibson bem pode dizer que passou por isto. Do céu, com o filme "Paixão de Cristo" - um dos mais enigmáticos e impressivos, para o inferno em que a sua vida actual se tornou.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Selecção e Ronaldo.


O treinador Carlos Queirós não quis seguir a minha proposta de equipa que deixei no meu post anterior e foi no que deu :O)


Entretanto, Ronaldo é apelidado de impostor e fraude.

Afinal, sabe marcar uns livres, tem um bom pique de corrida e marca golos mas só pelo Manchester e pelo Real Madrid.


Há quem diga que, na selecção como o salário, o marketing e o glamour são menos apelativos, é o que se vê....


Como dizia alguém, até parecia que já estava com a cabeça na Paris Hilton e nas férias em LA.

sábado, 26 de junho de 2010

Portugal - Espanha

Para mim, o onze certo de Portugal para alinhar contra a Espanha deveria ser o seguinte:

Defesa:

Eduardo, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Bruno Alves
e Miguel (por estar mais habituado a lidar com o David Villa e o futebol espanhol)

Meio-Campo:

Pedro Mendes (tem funcionado como 3º central e está melhor que Pepe)
Tiago e Raúl Meireles (a lutarem no centro com Xavi e Xavi Alonso e/ou Iniesta)
Duda (a fazer a meia esquerda)
Simão Sabrosa (a fazer a meia direita)

Avançado:

Cristiano Ronaldo

Com o decorrer do jogo, tiraria Duda ou o Simão Sabrosa e:

- Se fosse necessário atacar, colocaria Deco ou Liedson ou,
- Se fosse necessário defender o resultado, colocaria Pepe ou Miguel Veloso.

sábado, 12 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A batalha dos Atoleiros

Batalha dos Atoleiros from ccnunoalvares on Vimeo.




A Crise de 1383-85 e a Batalha dos Atoleiros

Os efeitos da demagogia



Aristóteles escreveu já há dezenas de séculos atrás, na sua obra “A República”, que a demagogia é a degenerescência da Democracia e que esta, por sua vez, é o melhor dos piores regimes de governo.
A actual crise tem origem na especulação financeira e no despesismo estatal e provoca desemprego que, por sua vez, provoca mais despesismo estatal através das subvenções sociais (subsídios de desemprego, rendimento mínimo etc..). Também a crise da natalidade reduz o número dos consumidores, gera menos consumo e, por isso, aumenta o emprego porque obriga à redução da oferta.
O Império Romano entrou em decadência devido à corrupção interna do seu sistema para a qual, segundo vários autores, a queda da natalidade deu também um significativo contributo.
Por sua vez, os governos e as autarquias entram em despesas vertiginosas por motivos eleitoralistas, têm de apresentar obra se querem ser reeleitos, nem que para isso gastem o que não têm. Difícil será que um governo ou uma autarquia que apostem no aforro e na consolidação das contas públicas venham, depois, a ser novamente reeleitos. Só um povo com grande maturidade política é que compreende que a manutenção do que está é melhor e mais sensato do que a construção de coisas novas, ainda que sem dinheiro. É necessário chegar a uma situação de quase bancarrota para que se possa apelar ao bom senso dos eleitores e obrigá-los depois a apertar o cinto.
Há uns meses atrás tive a honra de participar no blogue colectivo “Jamais” de apoio à Dra. Manuela Ferreira Leite na companhia de Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, Paulo Rangel, Pedro Duarte entre outros. Nesse blogue não nos cansámos de advertir acerca da necessidade de uma política de verdade que mostrasse ao país a realidade e avançasse para medidas realistas de contenção. Ao invés, o povo preferiu votar no partido que dizia que estava tudo bem, que até teve o despudor de lançar medidas que provocavam ainda mais despesa. Tudo a bem da manutenção do poder. O povo gosta de ser enganado. O povo português, em concreto, ainda não tem a maturidade política suficiente para votar antes numa líder esteticamente menos atractiva mas que diz a verdade e preferiu votar num líder bonito que disse e proclamou inverdades.
Estas realidades demonstram os vícios da Democracia, tal como ela está concebida em Portugal e nas sociedades ditas ocidentais e modernas. Este modelo não serve porque aposta na ignorância e nos instintos do eleitorado que actua como o burro que tenta comer a cenoura pendurada pelo seu dono.
Por tudo isto, há que mudar a constituição. Há que fomentar a estabilidade eleitoral modificando o sistema eleitoral, há que reduzir o nº de deputados, há que aumentar a duração dos mandatos de forma a que os governos possam ter mais tempo para actuar sem necessidade de contentar os eleitores à custa de despesismo, há que, ao mesmo tempo, reforçar os poderes e a independência das várias entidades reguladoras de forma a evitar e sancionar os abusos de poder.
Alberto João Jardim já o vinha dizendo há muito tempo e Pedro Passos Coelho ousou lançar a proposta para cima da mesa. Mas os situacionistas, os que beneficiam das disfunções do sistema negam-se a fazê-lo: Há que mexer na constituição porque o sistema actual está caduco e ultrapassado. Por este andar o país irá cair no fundo, no descalabro total. Neste momento, já há cada vez mais pessoas a recorrer à justiça por mãos próprias em vez de recorrer à ineficácia dos tribunais. Estamos em plena degenerescência da democracia, vivemos em demagogia e em breve, poderemos cair no caos.

Artigo publicado na edição de Junho do mensário "Notícias de S.Brás"
Membro da comissão política do PSD de S.Brás de Alportel.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Conselhos milenares

Uma frase com 2065 anos ...

“O Orçamento Nacional deve ser equilibrado.As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada.Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência.As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.”

Marcus Tullius Cícero
Roma, 55 a.C.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A ética da irresponsabilidade


O Presidente da República (PR) entendeu promulgar a lei que institucionaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo invocando a «ética da responsabilidade» e contra o seu próprio parecer sobre a questão.A expressão «ética da responsabilidade» é redundante, porque a irresponsabilidade nunca é ética, como é óbvio. «Responsabilidade» significa, etimologicamente, o «peso» (pondus, em latim), da «coisa» (em latim, res), ou seja, ser responsável é acarretar com as consequências das próprias convicções em todos os actos e opções. A «ética da responsabilidade» opõe-se, portanto, à lógica da conveniência, cujo critério decisivo não é pautado por imperativos morais, mas por razões de oportunidade.

Ora o PR, que podia não ser cristão e, não o sendo, até podia ser partidário do casamento entre pessoas do mesmo sexo, fez questão em deixar claro que não concorda com o teor do diploma que promulgou. Ou seja, foi o PR que chamou a atenção para a incoerência da sua atitude: enquanto cidadão supostamente católico, pensa de uma forma; mas enquanto PR, age ao contrário. Mas como a fé se manifesta pelas obras e os princípios também, pois se assim não fosse não seriam princípio de coisa nenhuma, forçoso é concluir que quem procede deste modo não tem fé, nem princípios.

Também por razões de oportunismo, não faltaram políticos, militares, cientistas, juízes, etc., que cederam às exigências do poder, nomeadamente nazi e estalinista, por exemplo. Não restam dúvidas de que o seu acatamento dessas ordens superiores beneficiaram a coesão social dos respectivos regimes, sobretudo em situação de guerra ou de grave crise nacional, mas uma tal vantagem prática os não iliba da correspondente responsabilidade moral: não é uma desculpa, mas uma culpa decorrente da sua irresponsabilidade ética, do seu relativismo moral. Não foram vítimas dessas injustiças, mas cúmplices. O medo pelas consequências necessárias de um acto eticamente exigido não é prudência, é cobardia.

Mas – poderiam objectar alguns politólogos mais manhosos – não seria ineficaz, em termos práticos, a recusa da promulgação do controverso diploma, na medida em que constitucionalmente não poderia deixar de o ser se, de novo, fosse remetido à presidência pelo parlamento, como decerto ocorreria?! De modo algum, porque o PR podia e devia fazer saber a quem de direito que, não podendo agir contra os seus princípios e a sua consciência, ver-se-ia obrigado a demitir-se se essa lei lhe fosse reenviada, ou a dissolver a Assembleia da República. Em qualquer dos casos, a responsabilidade pela crise política decorrente seria única e exclusivamente de quem insistisse nessa questão fracturante. Pelo contrário, promulgando o diploma, o PR não só o faz seu como faz saber à nação e aos outros órgãos de soberania que está disponível para sancionar qualquer lei, mesmo que contrária aos princípios morais que era suposto seguir na sua actividade política.Outra é a lógica da honra e da fé.
Thomas More, ex-chanceler de Henrique VIII, estava disposto a servir o seu país e o seu rei, mas não à custa dos seus princípios morais ou da sua religião. Em termos de estabilidade política ou de conveniência pessoal, poderia ter transigido com o divórcio real mas, como era um homem de fé e de princípios, não o fez. A coerência custou-lhe a vida. João Baptista não teve medo de denunciar a imoralidade de Herodes e a sua não cedência ante o adultério do monarca, que teria sido muito oportuna social e politicamente, dada a grave crise resultante da ocupação romana, teve para o precursor uma consequência trágica: o martírio.
São Thomas More e São João Baptista perderam literalmente a cabeça, mas não a fé, nem a honra, ao contrário dos que vendem a alma e a sua dignidade por mesquinhos interesses conjunturais. Aqueles não foram vencidos da vida, mas vencedores do mundo, ao invés dos que renegam os seus princípios por calculismo eleitoral e oportunismo político. Vae victis…
Gonçalo Portocarrero de Almada