domingo, 8 de agosto de 2010

Os homens e as lides domésticas



Há uns tempos atrás vi um documentário sobre a crise da natalidade e da família e, a dada altura, uma professora norte-americana dizia que uma das causas radicava na maior e inata imaturidade dos homens. Confesso que, ao princípio, fiquei um pouco surpreendido, mas depois a professora explicou que os homens apresentam uma menor capacidade para resolver a ajudar nos problemas domésticos e educativos da casa de família e que, por isso, a mulher sentia-se mais desamparada e optava ou por não ter filhos ou por optar pelo divórcio.
Segundo um recente estudo da London School of Economics, do Reino Unido, os casais onde o homem se envolve mais nas tarefas domésticas têm menos probabilidades de se divorciar.
O estudo demonstrou que os casos em que a mãe é doméstica e o marido trabalha, mas não ajuda em casa ou nos casos em que a mãe trabalha e o marido não ajuda em casa são os que implicam um maior risco de divórcio, sendo os que implicam menor risco de divórcio aqueles em que a mãe é doméstica e o marido, embora trabalhe, ajuda em casa.
Isto significa que compartilhar as tarefas em casa fortalece o casamento. Porém, os seus resultados não permite afirmar que a maioria das mulheres queiram necessariamente um modelo "igualitário" (50-50) na repartição das tarefas domésticas entre o homem e a mulher.
O estudo refere ainda que, em casais jovens com filhos pequenos, quando o pai não ajuda em casa e o casamento se desfaz, o divórcio provoca graves consequências sobretudo do ponto de vista económico, agravando ainda mais as dificuldades próprias das jovens mães que ficam sem parceiro e com menor suporte financeiro para fazer face às despesas.
E concluí que, nos vários estudos e análises sobre divórcio, tem-se dado um relevo excessivo às consequências negativas decorrentes da introdução da mulher no mercado de trabalho remunerado e, ao invés, tem-se esquecido praticamente em absoluto as consequências positivas que decorreria da maior participação do homem nas tarefas não remuneradas de natureza doméstica e educativa no seu próprio lar.
Este panorama atávico de menor presença do pai/marido/companheiro nas lides domésticas e no cuidar e educar dos filhos- ao qual se poderá acrescentar as inúmeras situações de violência doméstica - demonstram que muito há ainda a fazer na revolução destas mentalidades anacrónicas, mais próprias da idade média.
Muitos homens, diga-se, não têm qualquer experiência de apoio nas lides domésticas ou educativas porque as suas próprias mães nunca lhes transmitiram esses hábitos. Por outro lado, muitas mulheres assistiram, em suas casas, à total submissão das suas mães que, em muitos casos, estavam reduzidas pelos maridos a meras criadas de mesa e, por isso, acham normal que, consigo, aconteça o mesmo.
A participação dos homens nas lides domésticas e na educação dos filhos, a meu ver, não decorre somente da necessidade de apoiar a mulher, sobretudo se é trabalhadora. Sem dúvida que isso é importante. Mas, no caso do cuidar dos filhos (dar banhos, deitar, ajudar a comer, a ir à casa de banho, etc...), essa participação só traz vantagens para o próprio homem na medida em que o torna mais próximo dos filhos e contribuí para o reforço de uma relação de intimidade e cumplicidade que habitualmente quase sempre só ocorre com as mães, ou seja, o próprio homem-pai fica a ganhar com essa maior presença no lar.

sábado, 7 de agosto de 2010

Balanço do mundial

No passado mês de Junho, pudemos assistir ao campeonato do mundo de futebol da África do Sul. Se olharmos para o comportamento das várias selecções, poderemos identificar 5 tipos diferentes de equipas.
As equipas que foram participar no torneio, mas que acabaram por assumira um comportamento suicida e indisciplinado, caso da selecção da França.
As equipas que pretendiam ir o mais longe possível, mas cujas prestações em campo acabaram por não corresponder a esse seu desejo, acabando por ser eliminadas nas fases anteriores, casos de Portugal, Itália ou Inglaterra.
Depois existiam equipas que queriam ir o mais longe possível e que, de facto, apesar de algumas limitações em relação a outras mais fortes, com mais ou menos sorte, acabaram por fazê-lo, caso do Uruguai ou da Holanda.
Depois havia a Alemanha que actuou de forma fria e compacta durante todo o campeonato, levando à prática de forma demolidora, mecânica e quase cínica os seus objectivos
E, por fim, a equipa vencedora do torneio, a Espanha que começou com uma derrota que, em vez de a desanimar, a incentivou para uma campanha vitoriosa e os seus jogadores, além da arte e engenho, entravam em campo dominados pela famosa “fúria espanhola” que é mais do que uma simples motivação. É uma fúria que tem “ganas” de dar o tudo por tudo, se necessário, deixar a pele e o corpo em campo até à vitória final.
Na forma como encaramos a nossa vida, também nos pode acontecer , a de quase suicídio, como a França; a do que quer, mas não pode; a do que pode, mas não quis de forma suficiente e a do que podia e quis de forma furiosa vencer. Uma coisa é certa, agora, depois do campeonato do mundo, só conta mesmo o vencedor, dos outros pouco ou nada se falará.

domingo, 25 de julho de 2010

O Barão vermelho

Os alemães vão, a pouco e pouco, saíndo da casca e, após dezenas de anos como vilões, começam a fazer os seus primeiros filmes de guerra onde eles próprios surgem como heróis.
Agora, foi a vez do Barão Vermelho, Manfred von Richthofen- herói da 1ª Grande Guerra Mundial totalmente produzido por alemães.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

95% de pudim

Sobre o "pudim", isto é, a vontade ou a falta dela, recomendo vivamente a breve crónica de hoje, na Antena 1, da Profª Isabel do Carmo.
Diz a especialista que um estudo apurou que apenas 5% do que comemos é fruto de uma vontade deliberada e consciente. Os restantes 95% são o resultado de comportamentos induzidos e condicionados pela publicidade, instintos, etc..
Vale a pena ouvir, aqui

COM PESO E MEDIDA - Debate/Opinião Antena 1 - Multimédia RTP

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Gula

Um post interessante, acompanhado com um excerto engraçado do canal Historia sobre a problemática da gula nos dias de hoje.

Aqui


Delírio legislativo

O art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa da seguinte forma:

Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos--Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção: ........................


Pode ser confirmado no site Diário da República.


Se alguém procura as causas do estado do País, talvez encontre parte delas na fúria legislativa !!
(Recebida por e-mail)

Mel Gibson em desgraça


É com grande decepção que assisto a uma nova fase negativa da vida de Mel Gibson.

Depois de uma recaída no seu vício de longa data, o alcoolismo, e um inevitável afastamento da sua mulher, seguiu-se uma aventura com uma pessoa um pouco estranha, uma gravidez certamente não desejada e, agora, ao que parece agressões e ameaças (disponíveis em audio aqui)


O exorcista do meu post anterior certamente diria que o Demo não terá gostado muito dos efeitos do filme "A Paixão de Cristo" e toca a atazanar a vida do Mel que, na realidade, está um autêntico inferno.


Isto prova que o maior Santo, em vida, pode-se sempre tornar no maior diabinho e vice-versa.


Até chegar à nossa hora, tudo é possível.


P.S.- Encontrei este artigo interessante sobre Mel Gibson e o paralelismo com Caravaggio -um dos artistas mais admirados por Mel Gibson.

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre a existência de espíritos malignos


Entrevista interessante ontem, na TSF, a um exorcista espanhol, disponível on line aqui.
Como o entrevistado dizia, raros são os pontos onde há tanta unanimidade entre as religiões: desde as religiões nativas indías, passando pelo Budismo, Islamismo e Cristianismo, todas reconhecem a existência de espíritos malignos.
Um assunto que será certamente um motivo de troça e chacota por parte dos racionalistas, materialistas e agnósticos.
Pero que los hay, hay...
P.S.- Mel Gibson bem pode dizer que passou por isto. Do céu, com o filme "Paixão de Cristo" - um dos mais enigmáticos e impressivos, para o inferno em que a sua vida actual se tornou.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Selecção e Ronaldo.


O treinador Carlos Queirós não quis seguir a minha proposta de equipa que deixei no meu post anterior e foi no que deu :O)


Entretanto, Ronaldo é apelidado de impostor e fraude.

Afinal, sabe marcar uns livres, tem um bom pique de corrida e marca golos mas só pelo Manchester e pelo Real Madrid.


Há quem diga que, na selecção como o salário, o marketing e o glamour são menos apelativos, é o que se vê....


Como dizia alguém, até parecia que já estava com a cabeça na Paris Hilton e nas férias em LA.

sábado, 26 de junho de 2010

Portugal - Espanha

Para mim, o onze certo de Portugal para alinhar contra a Espanha deveria ser o seguinte:

Defesa:

Eduardo, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Bruno Alves
e Miguel (por estar mais habituado a lidar com o David Villa e o futebol espanhol)

Meio-Campo:

Pedro Mendes (tem funcionado como 3º central e está melhor que Pepe)
Tiago e Raúl Meireles (a lutarem no centro com Xavi e Xavi Alonso e/ou Iniesta)
Duda (a fazer a meia esquerda)
Simão Sabrosa (a fazer a meia direita)

Avançado:

Cristiano Ronaldo

Com o decorrer do jogo, tiraria Duda ou o Simão Sabrosa e:

- Se fosse necessário atacar, colocaria Deco ou Liedson ou,
- Se fosse necessário defender o resultado, colocaria Pepe ou Miguel Veloso.

sábado, 12 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A batalha dos Atoleiros

Batalha dos Atoleiros from ccnunoalvares on Vimeo.




A Crise de 1383-85 e a Batalha dos Atoleiros

Os efeitos da demagogia



Aristóteles escreveu já há dezenas de séculos atrás, na sua obra “A República”, que a demagogia é a degenerescência da Democracia e que esta, por sua vez, é o melhor dos piores regimes de governo.
A actual crise tem origem na especulação financeira e no despesismo estatal e provoca desemprego que, por sua vez, provoca mais despesismo estatal através das subvenções sociais (subsídios de desemprego, rendimento mínimo etc..). Também a crise da natalidade reduz o número dos consumidores, gera menos consumo e, por isso, aumenta o emprego porque obriga à redução da oferta.
O Império Romano entrou em decadência devido à corrupção interna do seu sistema para a qual, segundo vários autores, a queda da natalidade deu também um significativo contributo.
Por sua vez, os governos e as autarquias entram em despesas vertiginosas por motivos eleitoralistas, têm de apresentar obra se querem ser reeleitos, nem que para isso gastem o que não têm. Difícil será que um governo ou uma autarquia que apostem no aforro e na consolidação das contas públicas venham, depois, a ser novamente reeleitos. Só um povo com grande maturidade política é que compreende que a manutenção do que está é melhor e mais sensato do que a construção de coisas novas, ainda que sem dinheiro. É necessário chegar a uma situação de quase bancarrota para que se possa apelar ao bom senso dos eleitores e obrigá-los depois a apertar o cinto.
Há uns meses atrás tive a honra de participar no blogue colectivo “Jamais” de apoio à Dra. Manuela Ferreira Leite na companhia de Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, Paulo Rangel, Pedro Duarte entre outros. Nesse blogue não nos cansámos de advertir acerca da necessidade de uma política de verdade que mostrasse ao país a realidade e avançasse para medidas realistas de contenção. Ao invés, o povo preferiu votar no partido que dizia que estava tudo bem, que até teve o despudor de lançar medidas que provocavam ainda mais despesa. Tudo a bem da manutenção do poder. O povo gosta de ser enganado. O povo português, em concreto, ainda não tem a maturidade política suficiente para votar antes numa líder esteticamente menos atractiva mas que diz a verdade e preferiu votar num líder bonito que disse e proclamou inverdades.
Estas realidades demonstram os vícios da Democracia, tal como ela está concebida em Portugal e nas sociedades ditas ocidentais e modernas. Este modelo não serve porque aposta na ignorância e nos instintos do eleitorado que actua como o burro que tenta comer a cenoura pendurada pelo seu dono.
Por tudo isto, há que mudar a constituição. Há que fomentar a estabilidade eleitoral modificando o sistema eleitoral, há que reduzir o nº de deputados, há que aumentar a duração dos mandatos de forma a que os governos possam ter mais tempo para actuar sem necessidade de contentar os eleitores à custa de despesismo, há que, ao mesmo tempo, reforçar os poderes e a independência das várias entidades reguladoras de forma a evitar e sancionar os abusos de poder.
Alberto João Jardim já o vinha dizendo há muito tempo e Pedro Passos Coelho ousou lançar a proposta para cima da mesa. Mas os situacionistas, os que beneficiam das disfunções do sistema negam-se a fazê-lo: Há que mexer na constituição porque o sistema actual está caduco e ultrapassado. Por este andar o país irá cair no fundo, no descalabro total. Neste momento, já há cada vez mais pessoas a recorrer à justiça por mãos próprias em vez de recorrer à ineficácia dos tribunais. Estamos em plena degenerescência da democracia, vivemos em demagogia e em breve, poderemos cair no caos.

Artigo publicado na edição de Junho do mensário "Notícias de S.Brás"
Membro da comissão política do PSD de S.Brás de Alportel.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Conselhos milenares

Uma frase com 2065 anos ...

“O Orçamento Nacional deve ser equilibrado.As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada.Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a Nação não quiser ir à falência.As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.”

Marcus Tullius Cícero
Roma, 55 a.C.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A ética da irresponsabilidade


O Presidente da República (PR) entendeu promulgar a lei que institucionaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo invocando a «ética da responsabilidade» e contra o seu próprio parecer sobre a questão.A expressão «ética da responsabilidade» é redundante, porque a irresponsabilidade nunca é ética, como é óbvio. «Responsabilidade» significa, etimologicamente, o «peso» (pondus, em latim), da «coisa» (em latim, res), ou seja, ser responsável é acarretar com as consequências das próprias convicções em todos os actos e opções. A «ética da responsabilidade» opõe-se, portanto, à lógica da conveniência, cujo critério decisivo não é pautado por imperativos morais, mas por razões de oportunidade.

Ora o PR, que podia não ser cristão e, não o sendo, até podia ser partidário do casamento entre pessoas do mesmo sexo, fez questão em deixar claro que não concorda com o teor do diploma que promulgou. Ou seja, foi o PR que chamou a atenção para a incoerência da sua atitude: enquanto cidadão supostamente católico, pensa de uma forma; mas enquanto PR, age ao contrário. Mas como a fé se manifesta pelas obras e os princípios também, pois se assim não fosse não seriam princípio de coisa nenhuma, forçoso é concluir que quem procede deste modo não tem fé, nem princípios.

Também por razões de oportunismo, não faltaram políticos, militares, cientistas, juízes, etc., que cederam às exigências do poder, nomeadamente nazi e estalinista, por exemplo. Não restam dúvidas de que o seu acatamento dessas ordens superiores beneficiaram a coesão social dos respectivos regimes, sobretudo em situação de guerra ou de grave crise nacional, mas uma tal vantagem prática os não iliba da correspondente responsabilidade moral: não é uma desculpa, mas uma culpa decorrente da sua irresponsabilidade ética, do seu relativismo moral. Não foram vítimas dessas injustiças, mas cúmplices. O medo pelas consequências necessárias de um acto eticamente exigido não é prudência, é cobardia.

Mas – poderiam objectar alguns politólogos mais manhosos – não seria ineficaz, em termos práticos, a recusa da promulgação do controverso diploma, na medida em que constitucionalmente não poderia deixar de o ser se, de novo, fosse remetido à presidência pelo parlamento, como decerto ocorreria?! De modo algum, porque o PR podia e devia fazer saber a quem de direito que, não podendo agir contra os seus princípios e a sua consciência, ver-se-ia obrigado a demitir-se se essa lei lhe fosse reenviada, ou a dissolver a Assembleia da República. Em qualquer dos casos, a responsabilidade pela crise política decorrente seria única e exclusivamente de quem insistisse nessa questão fracturante. Pelo contrário, promulgando o diploma, o PR não só o faz seu como faz saber à nação e aos outros órgãos de soberania que está disponível para sancionar qualquer lei, mesmo que contrária aos princípios morais que era suposto seguir na sua actividade política.Outra é a lógica da honra e da fé.
Thomas More, ex-chanceler de Henrique VIII, estava disposto a servir o seu país e o seu rei, mas não à custa dos seus princípios morais ou da sua religião. Em termos de estabilidade política ou de conveniência pessoal, poderia ter transigido com o divórcio real mas, como era um homem de fé e de princípios, não o fez. A coerência custou-lhe a vida. João Baptista não teve medo de denunciar a imoralidade de Herodes e a sua não cedência ante o adultério do monarca, que teria sido muito oportuna social e politicamente, dada a grave crise resultante da ocupação romana, teve para o precursor uma consequência trágica: o martírio.
São Thomas More e São João Baptista perderam literalmente a cabeça, mas não a fé, nem a honra, ao contrário dos que vendem a alma e a sua dignidade por mesquinhos interesses conjunturais. Aqueles não foram vencidos da vida, mas vencedores do mundo, ao invés dos que renegam os seus princípios por calculismo eleitoral e oportunismo político. Vae victis…
Gonçalo Portocarrero de Almada

segunda-feira, 31 de maio de 2010

No próximo dia 2 de Junho, a associação Apatris 21- Associação de portadores de trissomia 21 do Algarve vai organizar no mercado de Faro, pelas 21.30, um desfile de moda cujo objectivo é a recolha de fundos.
A associação atravessa uma grave crise financeira motivada pelo corte de subsídios públicos e, por isso, merece todo o nosso apoio.
Aqui fica um vídeo dos ensaios do desfile no qual irão participar várias crianças e jovens com trissomia 21.
Não deixa de ser interessante ver a desfilar, lado a lado, os hérois da sociedade pós-moderna precisamente ao lado dos seus anti-heróis.

Os palácios do Beato

A zona do Beato é das mais ricas de Lisboa, em termos históricos, tal como se pode ler aqui e aqui.

domingo, 30 de maio de 2010

Site sobre Lisboa

Site sobre Lisboa- o seu passado e o seu presente, revelar LX

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Bookcrossing com Faro 1540


Texto enviado por e-mail pelo meu amigo Bruno Lage, presidente da Faro 1540:


Tal como já tinha sido referido, a associação “FARO 1540” está a dinamizar o bookcrossing no concelho da capital algarvia.
Recorde-se que Faro apesar de ser uma cidade universitária e capital de uma das principais regiões do país, não tinha este movimento bem enraizado apesar de Portugal ser dos países europeus onde este movimento tem maior expressão sobretudo nas cidades de Lisboa e Porto.
Esta realidade levou a “FARO 1540” a considerar mais oportuno que numa 1ª fase, fosse promovido a difusão deste conceito por intermédio de Crossing Zones ou Zonas Oficiais de Libertação (ZOL), onde todos os cidadãos poderão levantar e depositar os livros e publicações, em vez de serem libertados livros aleatoriamente em cafés, bancos de jardins e escolas como habitualmente acontece.
Assim, com o lançamento do projecto dinamizado pela “FARO 1540”, vão ser libertadas nos próximos dias perto de duzentas publicações pelas 12 entidades que se associaram a este projecto e que vão fazer de Faro, de acordo com as informações contidas no site Bookcrossing Portugal, a maior cidade do país em número de ZOL´s.
As Zonas Oficias de Libertação aderentes, todas elas identificadas pelo cartaz ZOL, nesta primeira fase foram: Associação de Solidariedade Social dos Professores (Delegação do Algarve), Biblioteca António Ramos Rosa, Bibliotecas da Universidade do Algarve (Gambelas e Penha), Centro Azul (Praia de Faro), Escola Secundária João de Deus, Espaço C, Espaço Internet (Sto António do Alto), Faro 1540, Hagabê Informática (Loja Faro), Nordik Bar e Sociedade Recreativa Artística Farense (“Os Artistas”).
Espera-se que este movimento seja “realimentado” a partir de hoje pelos diversos leitores (bookcrossers) e também pelas ZOL aderentes a este projecto, garantindo assim, que exista sempre disponível um conjunto razoável de publicações e livros que poderão circular entre diversos bookcrossers em vez de estarem parados e esquecidos em estantes.
A “FARO 1540” apela a todos os cidadãos que continuem a doar livros a esta associação, que depois de registar e etiquetar as referidas publicações no site bookcrossing.com serão posteriormente libertadas pelas ZOL farenses, passando a fazer parte integrante desta “biblioteca mundial” e a estar ao dispor de milhares de bookcrossers.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Propostas da CIP

Concordo em absoluto com as propostas recentemente divulgadas pela CIP, em especial:

• Extinção de serviços, institutos e empresas públicas, socialmente inúteis.
• Privatização de empresas em sectores concorrenciais em que não faz sentido a presença estatal.
• Extinção de empresas municipais e regionais que apenas servem para contornar as regras da Administração Pública.
• Redução do número de deputados, de municípios e de freguesias.
Por fim, e por uma questão de transparência e respeito para com o contribuinte: o aumento extraordinário da receita fiscal deve ser canalizado imediatamente para redução do défice e não para alimentar despesa.

O documento completo pode ser consultado aqui

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O fim da linha

Sem dúvida que a actual crise é uma crise cultural, mas é também uma crise estrutural na medida em que há séculos que se sabe que Portugal (Continental) tem pouca viabilidade económica.
A solução para este problema passa por um downsizing do Estado e do sector público e uma redução e estabilização do déficit acompanhada por uma maior optimização dos nossos recursos.
Para que esta realidade nos entre na cabeça, de vez, há que adaptar a Constituição a um novo modelo democrático já que este modelo pós-25 de Abril está esgotado e provou já, em muitas áreas, não ser definitivamente eficaz.
Essa adaptação da Constituição não pode ser de pormenor, mas tem de ser, em muitos casos, radical.Como não há coragem política, teremos que bater (ainda) mais no fundo para que o povo e os partidos se dêem conta disso.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A consciência

Foi com acerto que Pedro Picoito, neste seu post, recordou a figura de Thomas More que colocou os seus princípios à frente dos "interesses de Estado".
Recordo Manuela Ferreira Leite que recusou assumir uma verdade enganosa para assumir uma verdade incómoda e impopular mas que, agora, em matéria de déficit e forma de o combater, está-se a revelar profética e plenamente acertada.
Não foi eleita Primeira-Ministra, não ganhou as eleições, mas certamente que agiu de acordo com o que pensava e, agora, está satisfeita consigo própria.
Como dizia no outro dia o Dr. Bagão Félix, um dos grandes desafios a nível pessoal é o da indivisibilidade de carácter. Ou seja, não actuarmos de forma diferente, de acordo com as circunstâncias e conveniências.
Este é um desafio que nos interpela a todos e nos põe à prova.
Uma coisa é certa:
Que bom é podermos dormir à noite mais pobres ou menos ricos ou com menos honras ou lugares, mas tranquilos por termos actuado de acordo com a nossa consciência.


domingo, 16 de maio de 2010

O homem-pudim

A escritora Margarida Rebelo Pinto escreve no seu blogue do Sol sobre o "Homem-pudim".

Lembrando o título deste blogue, confesso que me revi em algumas das característica do tal pudim..

O futuro de S.Brás de Alportel



Foi com grande tristeza e decepção que recebemos a notícia do encerramento da pousada, ainda para mais com o argumento da inviabilidade económica.
A mim pessoalmente entristece-me por ter sido onde passei a minha lua de mel, tendo também, em outras ocasiões, experimentado as iguarias da sua cozinha. Dessas passagens registei sempre a enorme simpatia e excelente acolhimento do seu pessoal e a vista magnífica sobre a vila e o mar.
Os argumentos do grupo Pestana, porém, salientam algumas das lacunas da nossa vila. Com todo o respeito pela rota da cortiça ou pelo museu do Trajo que, sem dúvida, têm interesse e valor turístico, verifica-se que falta algo mais, algo que atraía mais turistas de dentro e de fora. A procissão do Aleluia, a feira da Serra ou a Arte Viva são também eventos apelativos mas limitados no tempo.
Se olharmos para o concelho, verificamos que, para além da sua posição estratégica colocada no centro do triângulo Loulé-Faro-Olhão, destaca-se outra valia, o barrocal. A exploração turística do barrocal devia, a meu ver, ser a grande aposta do concelho e para isso não basta apenas oferecer unidades de alojamento de qualidade. É necessário propôr actividades e programas que se insiram no meio do barrocal sambrazense e que sejam atractivas para os nossos visitantes.
Locais como o Badoca Parque, em Vila Nova de Santo André; o Monte Selvagem em Lavre, Vendas Novas ou a Cova dos Mouros, em Martim Longo provam que não é necessário construir vias rápidas ou circunvalações para que surjam pólos de atracção turístico.
Já o renovado parque da Fonte Férrea, no Alportel, mostra-se saturado, atraído pelos europeus de leste que, sábios, aproveitam o que ele tem de bom. Por isso, faltam novos parques de “Fonte Férrea”, isto é, espaços naturais de lazer para miúdos e graúdos, situados no hall ou no meio do barrocal sambrazense. Faltam parques temáticos com actividades que nos reconciliem e aproximem mais da natureza profunda que nos envolve. E nos dias que correm, quanto não nos pode ela dizer e ensinar ?
Falta apostar num turismo de aventura, nomeadamente através de uma maior dinamização dos passeios pedrestes, tornando-os mais conhecidos e acessíveis a todos. Em suma, falta aumentar, melhorar e diversificar a oferta turística do concelho.
Na Madeira, por exemplo, a forte aposta na melhoria das estradas foi acompanhada pelo apoio e criação de pólos turísticos, tais como museus, jardins e parques.
O encerramento (esperemos que transitório) da pousada deve ser motivo de exame de consciência. Afinal, de que serve chegar mais depressa ou em melhores condições a um sítio que parece ter pouco para oferecer ?


Artigo públicado na edição de Maio do mensário "Notícias de S.Brás".

Uma nova era

Enquanto a ICAR sofre ataques e pressões na Ásia, mais concretamente no Nepal e no Vietnam, muitos dizem que a visita de BXVI a Portugal abriu uma nova era no seu Papado.

No need to say goodbye

A alegria e o júbilo que pude ainda hoje, via sms, comungar com outros amigos pelo pedaço de Céu que esteve connosco estes últimos dias, levam-me a esta música cuja melodia vai muito na linha do que ainda nos vai na alma...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Balanço da Viagem de Bento XVI



No fim destes 4 dias de visita do Santo Padre, urge fazer um balanço com alguns comentários à mistura.

1- ENXURRADA

A vinda de um Papa a um país significa sempre a chegada de uma autêntica enxurrada de graças ou, para os mais laicos, forças positivas.
Isso mesmo verificou-se com as anteriores vindas do Papa João Paulo II.
Basta lembrar que o Cón. José Manuel Ferreira que recebeu o Papa no Mosteiro dos Jerónimos abraçou o sacerdócio precisamente na sequência da magistral homília do Papa João Paulo II, no Parque Eduardo VII. Neste sentido, até se pode dizer que o Papa Bento XVII beneficiou das anteriores vindas do Papa João Paulo II.
O que é certo é que o Papa elevou muito o nível, trouxe-nos energias positivas e serviu, serve e servirá, sem dúvida, para um recarregar de bateriais, para uns, um abanão, para outros e um despertar para outros ainda.
Agora, há que aproveitar esta dinâmica e este impulso, esta onda para explorar ao máximo todos os seus discursos e toda sua mensagem de co-responsabilização que passou a todos nós.

2- DISCURSOS

Dos vários discursos, gostei particularmente da homilia de Fátima e do discurso aos Bispos onde o Santo Padre concretizou alguns dos reparos que já tinha feito, em 2007, na visita ad limina.
O Santo Padre fez aquilo a que se chama uma “correcção fraterna” aos Bispos que infelizmente vivem ainda num ambiente de excessivo clericalismo onde se exalta o protótipo do “rato de sacristia”.
A Igreja Portuguesa considera que o bom cristão é o que está metido dentro das actividades eclesiásticas diocesanas quando, pelo contrário, o espírito do Concílio Vaticano II diz precisamente o oposto: O bom cristão deve ser antes o que, preparado pela Igreja, lança-se sem medo para o meio do mundo.
Neste sentido, o discurso do Papa aos Senhores Bispos chamou para a importância dos leigos e da sua formação, criticou os discursos genéricos que, por vezes, alguns pastores podem fazer que, sendo necessários, exigem uma maior concretização; criticou algum medo dos Bispos em assumirem as suas posições contra a corrente dominante e falou da importância dos movimentos e outras instituições não diocesanas que devem ser usadas em concertação com os objectivos episcopais, sem capelinhas, nem mesquinhez.
Por sua vez, achei o discurso às pessoas da cultura um pouco mais fraco em comparação, por exemplo, com o discurso aos universitários de La Sapienza que acabou por não ser lido devido ao boicote dos anti-clericais, mas que tinha grande nível e profundidade intelectual.

3- CERIMÓNIAS E ORGANIZAÇÃO

Espectacular a organização quer por parte da Igreja, quer por parte das autoridades. Portugal demonstrou, à semelhança do que já tinha acontecido com o Euro2004 que é capaz de organizar bem eventos e iniciativas de grande dimensão como esta.
Quanto às cerimónias foi impressionante ver a Missa do Terreiro do Paço (ver vídeo supra). As suas colunas que há 1 século atrás assistiram ao regícidio assistiram, agora, naquele dia 11 de Maio, a palavras de paz e concórdia, perante um Tejo pacificado num óptimo final de tarde.
No Porto, foi fantástico ver o carinho e acolhimento tipicamente nortenhos e, em particular, o grande cuidado litúrgico e a beleza dos cântigos, sem dúvida, os melhores de toda a viagem.
Para finalizar, achei curioso o comentário do Padre Borga que, a propósito das câmaras de televisão estarem a fitar, embevecidas, o avião da TAP que subia em direcção aos céus, recordou aquela passagem dos Actos dos Apóstolos, na ascensão aos céus, em que os discípulos ficaram paralisados a olhar para o céu, então um anjo lhes disse "Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu?". Vamos ao trabalho !

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pessoas especiais ou predestinadas ?

O que faz com que estas pessoas tenham sido escolhidas de forma tão singularmente única ?

O efeito dos media e da publicidade nas nossas crianças

O oportunismo de Sócrates

Já aqui tenho falado, várias vezes, do oportunismo de Sócrates.
Por motivos eleitoralistas e de preocupação com a sua popularidade promete coisas que, depois, não cumpre.
A questão é grave porque há fortes indícios de que, quando promete algo, sabe efectivamente que não o irá cumprir ou que, pelo menos, poderá não o cumprir.
É aquilo a que se chama, no Direito Penal, o dolo eventual.
Fê-lo, a propósito da legislação da ivg, prometendo uma regulamentação equilibrada.
Fê-lo, negando a suspensão das grandes obras públicas.
Agora, em nova manifestação de oportunismo político, aproveita a diversão que é a vinda do Santo Padre para anunciar medidas contraditórias e impopulares.
Mas, como diz Vasco Graça Moura, o povo português gosta de ser enganado.
Maquiavel, se fosse vivo, não faria melhor...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A missão portuguesa

Ontem e hoje o Papa Bento XVI fez várias referências à experiência missionária dos portugueses e ao facto de a Portugal se dever a evangelização de continentes como a América do Sul, África e Ásia.

Brasil, Angola, Moçambique, Congo, Cabo Verde, India, Japão, Indonésia, Timor, Guiné-Bissau são apenas alguns exemplos.

Este zelo apostólico, a mim, sempre me soou a hipocrisia e cinismo. Aos portugueses convinha a conversão dos indígenas porque ao aumentar a área de influência do Papa estariam indirectamente a permitir que o Papa reconhecesse e legitimasse as descobertas dos portugueses além-mar. Além disso, essas conversões funcionariam também como uma forma de subjugação e dominação cultural dos europeus sobre os autóctones dessas zonas.
Porém, ao ler recentemente uma biografia do Rei D.João II fiquei surpreendido porque (não obstante o que escrevi no parágrafo anterior) efectivamente notava-se no rei uma vontade e um desejo de fazer chegar a mais gente a boa nova.
E tanto assim é que, por mais de uma vez, o próprio rei procurou a conversão de certos reis e princípes de África, através de um apostolado pessoal mas sempre respeitador da liberdade pessoal.
Por isso, misturado com algum interesse político e até económico, concluo que inequivocamente esse zelo apostólico existiu e era, em grande parte, autêntico e genuíno.

A beleza como lugar

Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.

Bento XVI
Alocução aos representantes da cultura portuguesa
12-V-2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

“If you look for truth, you may find comfort in the end; if you look for comfort you will not get either comfort or truth only soft soap and wishful thinking to begin, and in the end, despair.” – C. S. Lewis (daqui)


Um desafio: Manter a aparente rotina do cumprimento diário dos deveres familiares e profissionais de forma pontual e ordeira

Ou

Desbundar como protagonista do American Beauty até se tornar num saco vazio que flutua ao sabor do vento que sopra errático
Ou
cumprir os deveres do dia a dia, temperando-o com um pequeno travo de loucura
E o que é a loucura?

Veja este filme até ao fim

Comentários à selecção escolhida por Queirós

Sobre a selecção de Queirós e após ter adiantado há 5 meses atrás a minha (na altura) possível convocatória, faço os seguintes comentários:

DE POSITIVO:

- A chamada do guarda-redes Beto que demonstrou estar em boa forma, além de ser um exímio defensor de grandes penalidades, o que num Mundial é sempre útil.

- A chamada de Danny que pode ser uma alternativa, a meio do jogo, pela sua irreverência e rapidez.

- A chamada de Pepe que merece a convocatória pelo esforço que tem feito na sua recuperação e pelo elevado carácter.

- A não chamada de Ruben Amorim e de Carlos Martins que, apesar da época do Benfica, demonstraram não terem ainda o nível suficiente par representar Portugal.

DE NEGATIVO:

- Compreende-se a chamada de 2 defesas centrais a mais, Zé Castro e Ricardo Costa, caso Pepe demonstre não estar capaz. Porém, penso que Zé Castro foi uma má escolha, devendo antes ter sido ponderada a chamada de Ricardo Rocha do Portsmouth ou Nunes do Palma de Maiorca que têm maior experiência e fizeram épocas boas, mas que inexplicavelmente nem sequer constam da pré-convocatória de 50 jogadores.

- A não chamada de João Moutinho, sobretudo porque como nº10 de raíz, só temos o Deco e, em caso de lesão ou castigo, ficamos apenas com Raúl Meireles, Tiago, Miguel Veloso ou Pedro Mendes que têm uma componente mais defensiva. Recordo, aliás, que no Europeu Deco e João Moutinho chegaram a fazer uma boa dupla com bons resultados.

Portimonense na 1ª divisão

Fico muito satisfeito por ver o Portimonense na 1ª divisão a fazer companhia ao Olhanense.

Faz lembrar tempos idos e é uma excelente notícia que o Algarve veja a sua posição reforçada na I Liga, contrariando a hegemonia dos clubes do norte.

O meu avô materno foi dos primeiros sócios do Portimão. Oxalá se aguente, para o próximo ano, na I Divisão.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Palácio dos Duques de Aveiro, em Azeitão


A casa dos Duques de Aveiro tem origem numa linha bastarda criada pelo nascimento do filho ilegítimo de D.João II, D.Jorge de Lencastre a cujo filho deste, D.João de Lencastre, por sua vez, D.João III atribuí o título de Duque de Aveiro.


Na sequência do atentado ao rei D.José I, os Duques de Aveiro são mortos e os seus bens confiscados ou destruídos. Sobra, porém, o seu Palácio original, com formato em "U" e um pátio no meio, construído por D.João de Lencastre no 1º quartel do Séc.XVI e que hoje se encontra nas mãos de privados, embora em mau estado de conservação.


Apesar da chacina instigada pelo Marquês de Pombal, sobrevivem actual desta casa, o actual 8º Marquês do Lavradio, D.Jaime de Almeida que, por sua vez, tem origem no 8º e último duque de Aveiro, por via da sua irmã, D.Francisca das Chagas Mascarenhas.




O ramo Lencastre associado actualmente ao 8º Marquês do Lavradio tem um site de família muito curioso que se pode encontrar aqui.

O brasão tem as armas de Portugal com um risco diagonal que significa a origem bastarda da sua casa.


P.S.1- Engraçado que das várias vezes em que realizei expedições a pé a caminho da Serra da Arrábida, passei por este Palácio sem me dar conta da sua importância.


P.S.2- Em Abiúl, os Duques de Aveiro eram proprietários de um Palácio onde passavam as férias e onde apreciavam touradas. Depois dos bens do Duque de Aveiro terem sido confiscados ou destruídos, o Palácio ficou parcialmente destruído, foi comprado pelos fidalgos Aboins ou Alvins e sobre as suas ruinas um casal de burgueses edificaram uma casa que passou, por herança, para umas senhoras viúvas que, por sua vez, a venderam à minha bisavó que era natural de Abiúl. Actualmente o meu pai tem a dita casa à venda, mantendo-se, no seu interior, ainda visíveis traços das antigas salas e no, seu exterior, paredes do antigo palácio. Num terreno contíguo que não nos pertence, é visível ainda ruinas da antiga capela dos Távoras.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Miguel Castro Caldas Cabral

No próximo fim-de-semana um antigo amigo meu com quem já não estou há muitos anos, vai-se ordenar sacerdote.

Temos a mesma idade, mas ele seguiu a carreira da medicina e, em particular, a difícil área da oncologia.

Neste vídeo, ele fala de si e da sua experiência pessoal e profissional como médico oncologista.

Com a falta de médicos, diríamos que é um desperdício a sua ordenação, mas também há falta de bons sacerdotes e ele certamente será um deles.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A demagogia da Democracia

Falta-nos uma sociedade civil que forneça as ideias e que estabeleça o patamar de exigência a que os partidos tenham de responder. Os partidos têm de ganhar votos e isso percebe-se. Como também se percebe que tendam a oferecer aos eleitores um discurso que é mais facilmente vendável e que muitas vezes é o demagógico. Por outro lado, a disputa eleitoral para ganhar votos custa muito dinheiro. Aquela ideia de que era tudo militância acabou. Os partidos hoje têm de obter dinheiro e o que é que têm para vender? Influência.
Vitor Bento, economista
Fonte: Público
A democracia faz com que, pelo menos, 1 ano antes de eleições, certas decisões não sejam tomadas e certas despesas sejam efectuadas. Se pensarmos que, hoje em dia, a maioria dos partidos estão em campanha eleitoral permanente, já se vê no que dá.
Das duas uma:
- Ou educamos os eleitores para que ganhem maturidade política.
- Ou reformulamos a democracia, por exemplo, aumentando o nº de anos de cada legislatura, reforçando, em compensação, a autonomia e independência dos mecanismos democráticos de fiscalização.

May feelings III

Depois dos vídeos de 2008 e 2009, o movimento espanhol "May Feelings" lançou a sua 3ª edição, desta vez dedicada aos sacerdotes.

Há um número insignificante de padres católicos pedófilos e há um número reduzido de maus padres, mas a maioria são pessoas que se entregam totalmente ao serviço dos outros.

Por isso, neste mês do desabrochar das flores e da chegada do cheiro a verão, é oportuno recordar a sua importância.

No meio de tanto desânimo e frustração, o mês de Maio anima-nos, pela mão de Maria, pelo lado feminino da Igreja, a ter ainda uma réstea de esperança em nós e nos outros.


terça-feira, 4 de maio de 2010

Jardim da Estrela

Em recente passagem por Lisboa redescobri o Jardim da Estrela.

Depois de uma fase muito decadente e murcha, o jardim foi alvo de requalificação, com arranjos e sobretudo pela modernização da zona de recreio infantil que faz a delícia dos mais novos.

Hoje, ir ao Jardim da Estrela, recorda-nos tempos idos e é como entrar numa máquina do tempo.

Destaco, em particular, a feira de artesanato que tem lugar em todos os 1ºs fins de semana do mês. Vale a pena, pelas peças que estão em exposição, muito originais.

Também a zona de cafés ganhou vida nova, reanimando uma animação que perdera.

É, de novo, um ponto de encontro e convívio, adocicado pelo suave badalar dos sinos da Basílica que, de tempos a tempos, nos fazem recordar as limitações do tempo.

Gostei e voltarei, até porque os meus filhos adoraram.

Lisboa pré-1755

O Museu da Cidade de Lisboa já tem uma maqueta de Lisboa pré-terramoto de 1755 e tem actualmente um projecto de 3D Lisboa 1755.

Agora, via Pedro Picoito, soube deste projecto que mostra algumas das obras emblemáticas da Lisboa pré-terramoto, em particular, o Palácio das Alcáçovas que ficava onde hoje se situa o Terreiro do Paço e ainda o edifício da Ópera.

No mesmo site, há a notícia de uma séries de programas que irão para o ar em horas proibitivas, sobre a Lisboa subterrânea, suas fontes, água, etc...na Antena 2

terça-feira, 27 de abril de 2010

A justiça portuguesa está doente

E não se diga que o problema está nas leis. Claro que há aspectos a melhorar. Mas a responsabilidade primária está na atitude complacente de certos juízes que, como neste caso, se refugiam em argumentos formais.
A justiça portuguesa está doente. E não é apenas o problema da morosidade. A aplicação das leis tem-se distanciado da realidade social. Muitos magistrados, influenciados talvez pelo relativismo ético dominante, desistem de encontrar a verdade no caso concreto.
A sua principal preocupação é “despachar” o processo. Alguns tornaram-se meros burocratas da lei. Agarrando-se à letra, esquecem tantas vezes o seu espírito, a ratio legis, desculpem lá a latinada.
Os juízes não podem esquecer que exercem a Justiça em nome do Povo.
Não estão a resolver um exame de direito penal. Ou a preparar-se para a próxima inspecção. A tecnicidade da lei não pode fazer esquecer a sua eticidade: o dever ser social estruturante de uma sociedade melhor e mais justa.

Paulo Marcelo, professor universitário
Diário Económico

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Afinal, aqui está a correcção do dito teste de direito "homofóbico"


Miserere, encenado por Luis Miguel Cintra


O confronto de um antigo texto religioso com o nosso tempo.
Um reencontro com o “Auto da Alma”, um dos mais belos e mais sombrios textos de Gil Vicente, escrito para a Semana Santa da corte de D. Manuel I. Ao texto do auto acrescenta-se a glosa do salmo “Miserere mei Deus” e a fala do Anjo noutra peça: o “Breve Sumário da História de Deus”. O discurso da culpa e da culpabilização é confrontado com o discurso cristão da alegria, mais frequente em Gil Vicente.
Alma, Anjo, Diabos, Santa Igreja e seus Doutores, as figuras simbólicas do auto quinhentista, perdem a sua antiga imagem e ganham carne nas pessoas dos actores. Transformam-se em figuras do nosso tempo, fechadas numa sala de prisão ou de hospital. A cerimónia religiosa passa da igreja para o palco e revela a sua violência num mundo profundamente profano.
Estão em cena “Todo o Mundo e Ninguém”. Nos nossos dias. “Todo o Mundo busca a vida e Ninguém conhece a morte.”
4ª a Sáb. 21h30 Dom. 16h
Sala Garrett

sábado, 24 de abril de 2010

Reflexões sobre o pensamento de Bento XVI


Numa perspectiva de preparação da vinda do Papa a Portugal, destaco a conferência "Reflexões sobre o pensamento de Bento XVI" que terá lugar no próximo dia 3 de Maio, 2ª feira, na Universidade Católica Portuguesa (ver link aqui).


A conferência tem oradores de luxo, tais como Zita Seabra, Pacheco Pereira, Guilherme d'Oliveira Martins, José Manuel Fernandes, Nuno Rogeiro, entre outros.


Da minha parte, estou a concluir a leitura do livro "Jesus de Nazaré" Volume I onde o Papa nos apresenta novas e originais perspectivas do Novo Testamento e, em particular, da figura de Jesus Cristo.


Comprei também uma biografia que se encontra à venda no Continente, da autoria do italiano, Andrea Tornielli, chamada "O Papa Bento XVI. O guardião da fé", da Editorial Presença.

O livro é barato (13,00€) e lê-se muito bem.


De ambos destacam-se a humildade e simplicidade do Papa acompanhada pela sua sólida convicção e preparação teológica.


Quem quiser, pode acompanhar o programa da vinda do Papa, neste site

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Paulo Otero e a nova corrente da jurisprudência constitucional

(Clique para aumentar)
Ainda o diploma que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo não foi promulgado e, na área da educação, já se começam a fazer sentir os Torquemadas da Inquisição pró-gay.


Trata-se de uma reacção já esperada, à semelhança do que tem vindo a acontecer em vários estados dos EUA que legalizaram o CPMS.


Neste caso, essa histeria aborda a questão pela negativa, isto é, trata-se de criticar a alegada "homofobia" de um professor de Direito Constitucional.
No futuro, a dita histeria abordará a questão pela positiva, isto é, pela imposição da ideologia pró-gay aos alunos de todas as escolas.


De facto, este teste do 1º ano da Faculdade de Direito de Lisboa da autoria do Prof. Paulo Otero tem vindo a causar grande polémica, tal como se pode constatar aqui e aqui.
Como alega o prof. Paulo Otero, para ele, o que está em causar é única e simplesmente testar a capacidade argumentativa do aluno.


Para mim, porém, as questões abordadas pelo Prof. Paulo Otero no seu teste parecem-me muito pertinentes e oportunas.


Se olharmos para a fundamentação dos 2 últimos acórdãos do Tribunal Constitucional em matérias fracturantes com a lei da IVG e o CPMS pode-se constatar que o mesmo consagra um clara subordinação do Direito aos interesses, ao pragmatismo e ao relativismo próprios de uma sociedade dita “pluralista”.


Segundo a recente jurisprudência do TC, a Constituição (ao contrário do que era defendido pelos Profs. Paulo Oteiro, Jorge Miranda e Freitas do Amaral) não consagra a priori conceitos, não impõe a imutabilidade de institutos jurídicos milenares, antes adapta-se ao desejo, à vontade e à liberdade subjectiva de cada um.

A este propósito, é interessante ver que o último acórdão do TC fala inclusive na consagração de um novo tipo de direito a que chamou o “Direito Soft”, onde tudo é permitido desde que não se afecte a liberdade de outro que pense e actue de forma contrária daquele.

Neste novo enquadramento da recente jurisprudência constitucional, a meu ver, o teste do prof. Paulo Otero aborda 2 questões interessantes.
1) Qual o limite deste novo “Direito Soft”? Até onde é que a Constituição condicionada aos direitos subjectivos de cada indivíduo vai ? Permitirá a Constituição, entendida nesta perspectiva, o casamento entre um homem e um animal ? A resposta, como é óbvio, é negativa.
2) Já num nível próximo do limite, mas ainda dentro das novas possibilidades abertas por esta nova jurisprudência relativa do TC, encontra-se a questão do casamento poligâmico.
Aí, já parece que, nessa perspectiva subjectivista e de jurisprudência dos interesses, a constituição poderia eventualmente ser permissiva caso tal correspondesse a uma corrente social, cultural e religiosa, ainda que minoritária.


Se já nada é pré-concebido, se da Constituição, em matéria de costumes, já não se podem retirar definições, princípios ou até mesmo meras orientações, ainda que numa perspectiva de interpretação sistemática (isto é, entre os vários artigos da Constituição), logo, tudo se resumirá à maior ou menor capacidade argumentativa para defender e fazer consagrar os direitos decorrentes dos desejos individuais de cada cidadão.


"O mundo para nós tornou-se novamente infinito no sentido de que não podemos negar a possilidade de se prestar a uma infinidade de interpretações"
in Nietzsche «Nosso novo infinito-
A Gaia Ciência»


Afinal de contas, não era isto que queriam ?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Os inconvenientes da Monarquia

Confesso que gosto e vejo vários aspectos positivos no regime monárquico particularmente quando os reis, além de pessoas sensatas, funcionem como simbolo e paradigma de integridade e de valores (coisa que muitos monarcas não foram).
Porém, há certos exageros que são inadmissíveis.
Pelo menos, no reinado de D.Luis, os reis tinham ao seu dispor, nada mais, nada menos do que 7 palácios, a saber:
- 4 Fora de Lisboa (Vila Viçosa, Queluz, Mafra e Pena).
- 3 Dentro de Lisboa (Ajuda, Necessidades e Belém).
Um exagero, inadmissível numa sociedade democrática.
P.S.- Actualmente o que resta do antigo património real pertence à Fundação da Casa de Bragança e incluí um Palácio (de Vila Viçosa), 5 castelos, alguns edifícios no concelho de Lisboa e várias propriedades rurais espalhadas por 12 concelhos diferentes de Portugal.

Fórum sobre Lisboa

Dos vários fóruns sobre Lisboa que andam pela net, destaco este que tem vasta e actualizada informação sobre várias zonas específicas desta bela cidade.

Marquês de Pombal

Debrucei-me recentemente mais em pormenor sobre a biografia do Marquês de Pombal.
Em Pombal, local do seu desterro, pode-se encontrar ainda muito material pessoal do Marquês, não só da sua última residência, mas sobretudo escritos.
Interessante que há uns anos atrás, lembro-me perfeitamente de uma enorme tempestade que caíu sobre Lisboa e do relâmpago que afectou a cúpula da Igreja da Memória onde está sepultado o Marquês.
Foi em 1985 e parte da cúpula caíu precisamente em cima da túmulo do Marquês, danificando-o.
Houve logo quem afirmasse que era um castigo divino pela autoria moral das condenações contra os Távoras e o padre Malagrida.
Se fosse vivo, certamente que seria do PS e certamente que seria um dos grandes entusiastas de temas fracturantes como a liberalização do aborto, o casamento gay, etc...

sábado, 17 de abril de 2010

Entrevista do sociólogo António Barreto ao "i"

Muito boa, com sugestões e ideias interessantes, aqui.

terça-feira, 13 de abril de 2010

OUTRO DISPARATE DA IMPRENSA SOBRE PADRES PEDÓFILOS



Por Massimo Introvigne (Avvenire, 10 de Abril de 2010)


Durou vinte e quatro horas o novo disparate lançado pela Associated Press contra o Papa. Até os media mais hostis, acossados pelos especialistas em direito canonico, fizeram marcha atrás. Mas, de acordo com o preceito segundo o qual vale a pena caluniar que sempre fica qualquer coisa, na cabeça dos utentes mais distraidos terão ficado apenas os títulos, segundo os quais, em 1985, o actual Pontífice «protegeu um padre pedófilo».
Para se compreender o significado da carta escrita pelo Cardeal Ratzinger a Mons. John Stephen Cummins (e não «Cummings»), Bispo de Oakland (California), a 6 de Novembro de 1985, é preciso ter algumas noções, ainda que básicas, de direito canónico. A perda do estado clerical pode ocorrer (a) como pena imposta pelo direito canónico por delitos especialmente graves; ou (b) quando solicitada pelo próprio sacerdote. Assim, um sacerdote acusado ou condenado por pedofilia pode perder o estado clerical (a) como pena pelo delito cometido ou (b) a seu pedido, pedido esse que o padre pedófilo pode ter interesse em fazer por razões diversas, por exemplo, para escapar à vigilância da Igreja (a vigilância do Estado é mais branda, como fica demonstrado em diversos casos), ou porque pretende casar-se. No primeiro caso, está-se a castigar o padre pedófilo. No segundo caso, está-se a fazer-lhe um favor.
Até 2001, a pena pelo delito de pedofilia – o castigo – era imposta pelas dioceses; em 2001, essa competência passou para a Congregação para a Doutrina da Fé. Em contrapartida, a análise dos pedidos de dispensa do estado clerical – o favor – já em 1985 era da competência da Congregação para a Doutrina da Fé.
Em 1985, Stephen Miller Kiesle, sacerdote acusado de abusos de menores, foi objecto de dois processos distintos. O primeiro dizia respeito à averiguação canónica susceptível de levar à demissão do estado clerical deste sacerdote como pena pelos abssos praticados, averiguação que era da estrita competência da Diocese de Oakland, e em que a Congregação para a Doutrina da Fé de modo nenhum intervinha.
O segundo processo dizia respeito à solicitação, feita pelo mesmo Padre Kiesle, de dispensa do estado clerical, solicitação que chegou à secretária da Congregação para a Doutrina da Fé, a qual – por uma praxe que adquiriu valor de regulamento – não concede a referida dispensa a um sacerdote que não tenha completado os quarenta anos.

Na altura, o Padre Kiesle tinha trinta e oito anos e o Bispo Cummins solicitou à Congregação para a Doutrina da Fé que abrisse uma excepção porque, acolhendo a solicitação de Kiesle, Roma libertaria a diocese de Oakland do embaraço de prosseguir a averiguação penal pelos abusos (indagação essa que, em 1985 – antes das alterações processuais introduzidas em 2001 – era, recorde-se, da estrita competência da diocese, e na qual a Congregação dirigida pelo Cardeal Ratzinger não podia intervir).
Se a Congregação tivesse acolhido o pedido de Kiesle, não teria «castigado» o sacerdote; pelo contrário, ter-lhe-ia feito um favor. Na verdade, Kiesle pretendia abandonar o sacerdócio porque tinha a intenção de se casar.
É muito importante distinguir o acolhimento de um pedido de dispensa do estado clerical, que constitui um benefício concedido ao sacerdote e que é da competência da Congregação para a Doutrina da Fé, da demissão do estado clerical como punição, que era, até 2001, da competência das dioceses, e não de Roma.
Enquanto Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger responde exprimindo a sua compreensão pela delicada posição em que o bispo se encontra – ou seja, agora em termos menos curiais, diz-lhe que compreende que o bispo preferisse que fosse Roma a tirar as castanhas do lume –, mas salienta que, para bem da Igreja, se devem respeitar rigorosamente as praxes, e que a idade do solicitante não permite dar-lhe a dispensa do estado clerical. «Considerando o bem universal da Igreja» – o que não significa, evidentemente, «para evitar escândalos» (aliás, o caso dos abusos sexuais atribuídos a Kiesle já tinha sido amplamente comentado na Califórnia, e o escândalo já se tinha verificado), mas sim «para não criar um precedente que abriria a porta a muitas outras solicitações de dispensa de sacerdotes com menos de quarenta anos» –, o Cardeal Ratzinger explica ao bispo que será necessário ter a prudência de esperar, como sempre acontece em casos de pedidos de sacerdotes que ainda não fizeram quarenta anos.
Entretanto, a Diocese de Oakland poderá, naturalmente, dar andamento à outra averiguação penal, susceptível de conduzir à demissão de Kiesle do estado clerical, não a seu pedido, mas como pena pelos abusos cometidos. Em 1987, enquanto a Diocese de Oakland prossegue as suas averiguações sobre Kiesle – depois de o ter proibido de exercer a actividade ministerial –, o sacerdote faz quarenta anos. Nesta altura, e como é da praxe, a Congregação acolhe o seu pedido de redução ao estado clerical. Kiesle abandona o exercício do ministério sacerdotal e casa-se, continuando a ser conhecido pela polícia como personalidade perturbada e suspeito de abuso de menores.
Os actos cometidos por Kiesle depois de 1987 não são, evidentemente, da responsabilidade da Igreja, mas apenas dos tribunais civis e da polícia. Se praticou outros abusos, a culpa não é da Igreja – que Kiesle abandonou e que deixou de ter quaisquer razões para o vigiar –, mas das autoridades civis.
Como é que ter recusado um pedido que um padre suspeito de pedofilia – que tencionava casar-se – apresentava como pedido de um favor, no seu próprio interesse, equivale a «proteger um padre pedófilo» é coisa que terá de ser a Associated Press a explicar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

O escafandro e a borboleta



Vi, nesta Páscoa, o filme "O escafandro e a borboleta" baseado numa história verídica.Para quem não gosta de filmes "parados" ou com pouca ou nenhuma acção, então este será um filme a evitar.

Mas o seu conteúdo é muito interessante:
Impressionante que se tenha de chegar, por vezes, a situações extremas para tentar perceber e aproveitar os momentos da vida.
Impressionante pelo carinho demonstrado pelos médicos e terapeutas que tentam apoiá-lo e acreditam na sua recuperação.
Impressionante pela mensagem que o protagonista deixa aos filhos:
A vida é um dilema entre a prisão do escafandro que representam os vícios, maus hábitos e a prisão dos nossos egoísmos e as "borboletas" que nos libertam e nos fazem sair de nós próprios.
Que procurem sempre ser as borboletas, termina.

Estado de Guerra

Vi o filme considerado pela Academia de Hollywood como sendo o melho desta ano -Estado de Guerra.

Confesso que foi uma enorme desilusão. O filme está muito bem filmado mas não passa de um filme meramente descritivo do que é a guerra.
Não acrescenta nada de novo.
No fim, não se consegue retirar qualquer conclusão senão a do mais puro nihilismo e ausência de sentido.
Fez-me lembrar o também premiado "The Departed" e os comentários que, a propósito deste filme, também escrevi aqui.
Mas, afinal, o que esperar de uma academia que mais não é do que o reflexo da sociedade de que faz parte ?


O Papa Bento XVI e a pedofilia

Excelente artigo do José Manuel Fernandes sobre o Papa Bento XVI e os casos de pedofilia, aqui, via João Gonçalves.

Daqui resulta que os últimos ataques do maçónico New York Times são manifestamente injustas.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Deputados representam país

Para os que, aqui no Algarve, ficaram muito chocados por o nº1 da lista de candidatos à AR do PSD ser o prof. Jorge Bacelar Gouveia, recordo o disposto no nº2 do artigo 152º da Constituição Portuguesa

Os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sebastião da Gama

Sebastião da Gama - Um dos meus autores preferidos.

A meu ver, ainda insuficientemente estudado e apreciado.

Aqui fica um estudo sobre a sua vida e obra para compensar este déficit.

Dele muito se pode aprender.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Do panorama político actual


Via Inimputável não resisto a (re)citar isto:


Os povos têm os governantes que merecem; e, quando o governo é democrático, este mecanismo é ainda referendado pela soma dos votos. Quando os malvados e os palermas chegam democraticamente ao poder, pode dizer-se sem ponta de dúvida que a sociedade atingiu o grau mais abjecto de corrupção; pois, se elevar o que é por natureza inferior é sempre uma monstruosidade, quando essa elevação se obtém por vontade popular, somos forçados a concluir que a monstruosidade está enquistada no próprio sistema.

Juan Manuel de Prada
in A Nova Tirania

domingo, 28 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

Pedro Passos Coelho eleito

Tudo indica que Pedro Passos Coelho é o novo presidente do PSD.
Como disse no post anterior, as divisões internas têm de terminar.
Não é o líder que eu escolheria, mas, se foi essa a decisão da maioria dos militantes, agora há que cerrar fileiras (mantendo o espírito crítico mas não necessariamente fracturante) em torno do novo líder e do seu programa para o partido e o país.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Paulo Rangel


A esta hora ainda não sei os resultados das eleições internas do PSD.


Votei Paulo Rangel e tive o privilégio de incluir a sua comissão de honra, a nível nacional.


Estou em crer que é, em face do panorama actual, a melhor solução para o partido e para o país.


Não concordo com todos os pontos que defende, mas, no essencial, estou em sintonia com a sua moção de estratégia nacional.


Seja qual for o resultado, penso que todos os militantes devem unir-se ao líder eleito de forma a que o país possa entrar numa nova fase, uma fase de libertação não só do futuro, mas de si próprio.

Júlio Machado Vaz, a pedofilia e o celibato sacerdotal

Gostei de ouvir hoje o Júlio Machado Vaz no programa da Antena 1 "O amor é", a propósito dos casos de pedofilia de alguns padres da Igreja Católica.
Dizia ele que é um perfeito disparate afirmar que a culpa destes casos de pedofilia radicam no celibato forçado dos padres católicos.
As disfunções sexuais e, em particular, que levam à pedofilia tanto podem acontecer em casados, como em celibatários, referia.
E para ilustrar a sua teoria, deu o exemplo do recente violador de Telheiras que, apesar de ter uma namorada e (tudo o indica) uma vida sexualmente activa, ainda assim, violava outras mulheres.
Se existisse um sistema de vasos comunicantes, rematava, um homem com uma parceira sexual necessariamente sentir-se-ía sempre satisfeito ao ponto de não cometer excessos em matéria sexual.
Mas não é isso que acontece.
Tenho para mim que os casos de padres pedófilos está, antes, relacionado com pessoas que, na realidade, ou não têm vocação sacerdotal ou se a têm, não interiorizaram suficientemente as obrigações decorrentes dessa vocação.
E aqui a Igreja pode ser também responsável pela falta de acompanhamento, quando não mesmo total abandono, a que vota muitos padres, sobretudo, diocesanos.
E todos necessitamos de orientação e direcção, por mais intelectualmente arrogantes que possamos ser.

domingo, 21 de março de 2010

Lutar: Para quê ?

A minha mulher é totalmente o oposto a tudo o que eu acredito em áreas como aborto, política, eutanásia, homossexualidade, etc..

A minha mulher acha também que votar ou ter algum tipo de activismo social ou político é uma total perda de tempo, em particular, quando se está, como é o meu caso, sempre do lado dos derrotados.

Dos derrotados no aborto, dos derrotados na política local e nacional, dos derrotados quanto ao casamento gay, etc..

No outro dia, ouvi este anúncio, e penso que ele espelha na íntegra o que eu penso acerca do meu activismo.

E se valerá a pena ou não, lutar e tentar.


Ninguém tem o direito de roubar a vida

sábado, 20 de março de 2010

Jorge Bacelar Gouveia coerente


Tal como referi já há vários meses atrás aqui, fiquei muito contente por saber que o Prof. Jorge Bacelar Gouveia seria o cabeça de lista pelo Algarve.


Conheço a sua integridade ética e sei que iria estudar, de forma aprofundada, os dossiers regionais e que, após a sua eleição, não esqueceria a sua ligação a este distrito.




E, agora, prova disso mesmo é a sua declaração de voto, a propósito do orçamento previsto para o Algarve que o próprio explica e comenta no seu blogue pessoal, aqui.


Numa altura de descrédito da política e dos políticos é bom ver que ainda há exemplos de integridade e coerência.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Justiça miserável

No espaço de 1 ano, 2 magistrados, em 2 tribunais diferentes, disseram-me que estão com muito trabalho e, perante a sua lentidão, advertiram-me que eu deveria ter utilizado "outras vias" para fazer Justiça.
É muito grave e mostra que mais fundo é difícil cair...

terça-feira, 16 de março de 2010

A paixão do Deus menino

Encontrei no You Tube uma das músicas do último albúm de Sting que aprofunda a tradição musical inglesa mais ancestral.

Esta música é muito curiosa. A letra é de um santo martirizado no Séc. XVI, em Inglaterra. Baseia-se num poema místico que aborda a paixão própria da Páscoa, de uma forma original, ao cruzá-la com o Natal.

O Deus menino aparece-lhe numa noite de inverno a arder pelo fogo dos pecados dos homens. A letra diz que a única forma de apagar esse fogo e amar o menino é limpá-lo, se necessário, com o sangue do devoto. E só assim haverá Natal.

A adaptação musical foi feita por um músico dos nossos tempos ligado à música tradicional inglesa, Chris Woods.

O facto de ser uma música alegre a acompanhar uma letra mais dramática pode ser visto como um convite à esperança e à alegria, "apesar dos pesares".

Há quem não goste do estilo, mas eu acho-a muito original.


sábado, 13 de março de 2010

Um abraço ao João Noronha


Ao meu colega de blogue no Algarve pela Vida, o João Noronha que, de forma muito compreensível, tem andado afastado destas lides pelo acompanhamento à pequena Madalena, aqui vai um forte abraço.
Os nossos pensamentos e orações estão com ele e a Madelena, confiantes que tudo correrá pelo melhor.
É impressionante o testemunho das experiências que tem vindo a viver nos últimos meses, registadas no seu blogue pessoal e assim nos damos conta que tantas vezes andamos a leste do que se passa com outras pessoas e o seu sofrimento e como tantas coisas do nosso dia a dia são tão relativas.

Pedro Passos Coelho apoia casamento gay

Para os que pretendem votar Pedro Passos Coelho convém que saibam que o mesmo defende um liberalismo selvagem quer em matéria de economia, quer em matéria de costumes.Em particular, em matéria de costumes, defende a adopção por casais homossexuais.

Defende a adopção por casais gay?
A homossexualidade ou a heterossexualidade não tem de ser um critério para a adopção. Quando avaliamos as condições em que determinada pessoa deve poder adoptar, o critério não é saber qual é a sua orientação sexual. Deve ser saber se tem ou não tem condições de estabilidade emocional, maturidade, autonomia financeira...

Esta resposta, além de ser igual à posição do Bloco de Esquerda, demonstra total ignorância do que é a realidade da adopção, em geral, e, em particular, da realidade portuguesa.
Além disso, contraria sondagens que referem que o povo português é maioritariamente contra esta situação.É isto que queremos para o nosso partido ?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Actas das assembleias legislativas portuguesas

No site da AR podem-se encontrar aqui as actas das assembleias legislativas portuguesas desde 1820 até à presente data.

Uma autêntica preciosidade histórica !

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cristiano R


A vantagem da escandalosa eliminação prematura do Real Madrid às mãos do campeão francês está no facto de podermos contar, no campeonato do Mundo de Junho próximo, com um Cristiano mais fresquinho e com sede de vitórias.
Entretanto, só irá jogar aos fins de semana e durante a semana ficará a ver os outros a jogar na televisão.


No ano em que ele ganhou a Champions, lembram-se, chegou todo roto ao campeonato Europeu e tirando o jogo com a República Checa, pouco ou nada fez...
P.S. -Entretanto a uma boa notícia, segue-se uma má: Guus Hiddink que é só um dos melhores treinadores do mundo e especialista em selecções nacionais, é o novo treinador da Costa do Marfim.
Pode ser que, com sorte, não consiga, nem tenha tempo suficiente para pôr a selecção da Costa do Marfim a carborar como equipa.

Os formalismos da Justiça

"As leis da Justiça estão, de facto, desadequadas; privilegiam muito o formalismo relativamente às questões a tratar. Há um formalismo excessivo nos processos"
Maria dos Prazeres Beleza, Juíza Conselheira do Supremo Tribunal de Justiça e antiga Juíza do Tribunal Constitucional.
in Boletim da Ordem dos Advogados, nº 60, 61. Pág. 28

O Diabo está nos detalhes

"O Diabo está nos detalhes"

Zeinal Bava, administrador-executivo da PT, em resposta no inquérito sobre Liberdade de Expressão.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ruben Micael fora

O jogo de hoje entre o FC Porto e o Arsenal demonstrou que Ruben Micael, apesar de ser um jovem promissor, ainda não está em condições de representar a selecção nacional.

Falta-lhe ainda a experiência internacional e o calo necessários para enfrentar as grandes pressões.

Para o campeonato do mundo não podemos correr riscos. Pelo que, se fosse por mim, ficaria de fora.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Somos pó e em pó nos tornaremos

Sermão do Pe. António Vieira sublimamente recitado pelo excelente Luis Miguel Cintra, aqui

terça-feira, 2 de março de 2010

Apoio Paulo Rangel

Como militante do PSD devo confessar que nenhum dos 4 candidatos me enche totalmente as medidas.

No entanto, dos 4, aprecio bastante o discurso de ruptura de Paulo Rangel.

No estado a que o país chegou sobretudo nas áreas da justiça, da educação, da organização político-administrativa e da segurança só mesmo um discurso de ruptura.

Por isso, apoio Paulo Rangel.

Remeto para 2 sites de qualidade sobre o seu discurso e programa

http://libertarofuturo.blogspot.com/
http://www.paulorangel2010.com/