Os homens são a coisa mais fantástica que há à face da terra. Mas, por vezes, são umas autênticas mulas porque metem argolada e depois disso, metem argolada outra vez. O grande mal do homem não está na falta de inteligência, está na falta de vontade que se deixa seduzir por essa coisinha doce e melosa, como um pudim. E quando assim é, o homem torna-se naquilo pelo qual se deixa seduzir- um pudim que qualquer colher esquarteja e leva à boca até desaparecer. Perceberam?
terça-feira, 31 de março de 2009
Políticas de capitulação
O PROBLEMA de muitas opiniões que se exprimem sobre a Igreja Católica – e sobre o Papa, como seu máximo representante – é que algumas pessoas que não são católicas nem sequer cristãs queriam que o Papa dissesse o que elas pensam. No fundo, para essas pessoas, a Igreja deveria abdicar da sua doutrina e das suas convicções – para defender as posições dos não-católicos, daqueles que professam outras ideologias ou partilham outras ideias. Ora isto é obviamente um absurdo.
À Igreja compete defender as suas posições e a sua doutrina – e não as dos seus inimigos. E não pode transigir constantemente, sob o risco de se descaracterizar. Não pode seguir a moda. Não pode estar sempre de acordo com o ar do tempo. Por vezes, o seu papel é mesmo o contrário: é combater as ideias em voga.
E NISTO a Igreja distingue-se claramente do Estado. O Estado – os vários Estados nacionais – tem muitas vezes de se adaptar às circunstâncias, de transigir, de pôr em prática políticas duvidosas do ponto de vista dos princípios.
É o caso do aborto, da distribuição de seringas ou das salas de chuto. Ninguém pode dizer que abortar é bom; ou que é bom as pessoas drogarem-se. Os Governos fazem estas concessões em nome do pragmatismo. Embora discordando naturalmente do aborto ou do consumo de drogas, acham que, não conseguindo evitá-los, é preferível criar condições para que se façam da melhor forma possível. É aquilo a que tenho chamado as ‘políticas de capitulação’. Ou seja, a abdicação dos princípios em nome do ‘mal menor’.
ORA é evidente que a Igreja não pode seguir este caminho. Não pode enveredar pelo caminho do pragmatismo sem princípios. Não pode dizer: façam abortos com segurança, ou droguem-se com segurança. A Igreja tem de dizer: não façam abortos, não se droguem.
E o mesmo vale para os preservativos. A Igreja não pode dizer: tenham relações sexuais à vontade, mas façam-no com preservativo para não contraírem doenças. A Igreja tem de dizer: a relação sexual deve ser responsável, deve ter lugar no casamento, a promiscuidade sexual é má – e, por isso, tudo o que facilite essa promiscuidade é condenável.
A Igreja Católica não pode abandonar esta trincheira. Se o fizesse, se começasse a recuar na doutrina, arriscava-se qualquer dia a não ter razão de existir.
AQUELES que atacam o Papa tentando menorizá-lo, como se estivessem num plano superior, não percebem o ridículo em que caem. O Papa – nenhum Papa – diz o que diz por desconhecimento da realidade ou por descuido. Ou, ainda menos, por maldade ou indiferença perante os dramas humanos. Poucas organizações como a Igreja são tão sábias, têm tanta experiência acumulada.
A Igreja não diz o que diz por ignorância ou por lapso – mas porque lhe compete defender uma doutrina. Uma doutrina que não é de hoje nem de ontem, que tem dois mil anos, e que os católicos pretendem que dure para sempre.
E NÃO DEIXA de ser verdade que a sida, como outras doenças que têm flagelado a Humanidade, só pode combater-se com uma mudança de hábitos, com uma mudança de práticas, com alterações culturais. Com uma reforma de mentalidades. Com uma atitude mais responsável em relação à vida, menos hedonista, em que o prazer e o dever se articulem de uma forma mais equilibrada.
Não é preciso ter relações sexuais só para procriar; mas também não é preciso comportarmo-nos como animais, deixando que o instinto prevaleça sobre todos os outros valores.
O preservativo pode ser hoje um paliativo, uma solução de recurso – mas não é ‘a solução’. A Humanidade não o pode ver como a solução para a sida. Ora, ao falar do preservativo como fala, a Igreja chama a atenção para isso: recusa-se a aceitar a promiscuidade e o facilitismo, põe a tónica nos valores e na responsabilidade do ser humano.
Só não percebe isto quem não quer.
OS COMUNISTAS gostariam que a Igreja defendesse as suas ideias. Os socialistas gostariam que a Igreja defendesse as suas ideias. Os libertários gostariam que a Igreja defendesse as suas ideias. Mas o que a Igreja tem de defender é a sua doutrina – e não as ideias dos outros. Se não constituísse uma voz diferente, para que serviria a Igreja? Se não fosse um contraponto, um referencial de certos valores e princípios, para que serviria a Igreja?
E se a doutrina da Igreja é contra a promiscuidade sexual, se é favorável a outro conceito de relação sexual associada ao amor e à fidelidade, não pode defender o preservativo ou as seringas – que têm que ver com outras práticas e com outra visão do mundo e das relações humanas.
A Igreja não pode dizer: usem o preservativo, porque essa é a forma de poderem ter relações sexuais sem risco. Como não pode dizer: usem seringas novas, porque essa é a forma de poderem injectar-se sem se infectarem.
OS ESTADOS, os Governos, aos quais compete gerir o quotidiano, podem defender tapa-buracos, soluções transitórias, de recurso. Mas esse não pode ser o papel da Igreja. A Igreja tem de olhar para mais longe. Tem de defender e preservar uma doutrina assente em ideais e comportamentos que não valem só para hoje ou para ontem. Ideais e comportamentos que não podem mudar, como as leis, ao sabor das circunstâncias.
Daqui
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sobre adopção ou educação a crianças promovidas por gays e lésbicas
Boa reportagem do Jornal "Público", reproduzindo os vários pontos de vista sobre o assunto, aqui.
sábado, 28 de março de 2009
Preservativos para Roma ou para África
Não era melhor enviar os preservativos para África, para os africanos que, contaminados pelo HIV, necessitam desesperadamente de um preservativo ao invés de os fazerem chegar a quem dele não precisa ?
Marinho, marinho..

Tenho, neste blogue, e por várias vezes, defendido e apoiado algumas das declarações mais controversas do meu Bastonário.
Infelizmente, a sua última intervenção, quanto ao caso Freeport, fica-lhe bastante mal e tem merecido a crítica e o repúdio da esmagadora maioria dos advogados que já se pronunciaram sobre o assunto.
Nesse sentido, concordo e subscrevo este post do meu colega Rogério da Costa Pereira.
É pena porque, com estes últimos excessos, ficam manchadas muitas das suas anteriores intervenções, essas sim, oportunas e úteis.
sexta-feira, 27 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Transformar um sanguinário num herói
Meus amigos e amigas
Se eu vir alguém com uma T-Shirt (ou qualquer outro objecto) fazendo alusão ao "Grande Revolucionário" Che Guevara, só posso pensar uma de duas coisas:
1. É pura ignorância da História da Humanidade.
2. É uma pessoa que presumo (não posso afirmar com certeza), tem valores diferentes dos meus no que à Vida Humana diz respeito.
O mito não passa de uma farsa.
A história tem destas coisas, criam-se mitos em torno de carniceiros
socialistas, que são vistos como heróis e salvadores. Só Hitler,
Mussolini é que eram maus.
Nos dias de hoje, o grande Satã americano e o perigo sionista, são
uma ameaça para a liberdade, segundo algumas mentalidades. Já
"ditadorzecos", como Chavez, Morales e Castro, são vistos pelas
mesmas mentes distorcidas como salvadores, defensores da liberdade e
dos direitos dos trabalhadores.
Para quem não tiver tempo, aí vai a transcrição do diálogo:
Em entrevista à jornalista Marlen Gonzalez, Benicio del
Toro gaguejou, ficou mudo
e, por fim, deve ter se arrependido amargamente da dita cuja.
A primeira pergunta:
"por que estrear um filme sobre Che Guevara numa cidade (Miami)
onde vivem tantos cubanos vitimados por um sistema que
ainda está implantado em Cuba?
É uma provocação?"
Benicio gagueja.
E ela completa:
"O filme traz uma imagem positiva do Che, e imagine que,
se fosse sobre Hitler, estaria ofendendo aos judeus.."
Ele diz que o Che não criou campos de concentração.
E ela:
"Estamos falando sobre assassinos.
Não é o mesmo crime assassinar uma pessoa, cem ou cem mil?"
E acrescenta:
"Você sabia que o Che, quando esteve encarregado da
prisão de La Cabaña,
mandou fuzilar pessoalmente mais de 400 pessoas?"
Benicio del Toro fala de pena de morte
e ela contesta, já que foram execuções sumárias, sem julgamento..
Ele afirma então que eram terroristas ligados ao
ex-ditador Batista. (Santa inocência!)
Ela o contesta, dizendo que foram assassinados por suas
opiniões contra o governo revolucionário, por suas consciências.
Ele fica muuuito desconfortável.
A jornalista indaga por que o filme não mostra os fuzilamentos,
os disparos que o próprio Che deu, em execuções, a sangue frio.
O ator não sabe.
E, por fim, ela pergunta se Benicio conhece a seguinte
declaração de Che Guevara:
"A forma mais positiva e mais forte que há, à parte de toda
ideologia, é um tiro em quem se deve dar em seu momento".
"Não me lembro, exatamente", responde ele.
E ela lhe presenteia com o livro "Guevara: Misionero de la
Violencia", escrito por Pedro Corzo, historiador cubano e ex-preso político na
ilha.
Ah, claro: a jornalista Marlen Gonzalez é de origem cubana.
É muito importante que seja divulgado ao máximo, para que
se evite que os comunistas de todo o mundo continuem
patrocinando filmes e propagandas que só tencionam fazer
uma lavagem cerebral na juventude, e nas pessoas mal
informadas distorcendo completamente a verdadeira história
do mundo nos últimos 90 anos!!!!
Ou continuar facturando muito dinheiro com o marketing de um
herói de barro!!!
Espero que aqueles que “ainda” imaginem Che Guevara como um ídolo,
tenham no mínimo a decência de assumir “quem de fato” é o seu
pseudo-ídolo.
(Recebida por e-mail)
segunda-feira, 23 de março de 2009
A homossexualidade é uma doença ?

O autoré um Psicólogo Clínico, Prof. Universitário, de nacionalidade holandesa.
Toda a sua vida investigou sobre este tema e a tese de doutoramento já versou sobre isto. Ao longo da sua vida conseguiu curar completamente umnúmero elevado de pessoas com tendência homossexual e obteve melhoriassensíveis em muitas outras. (A percentagem de curas totais é de 30%).
O livro não contém recomendações morais, mas descrições psicológicas eindicações interessantes de terapia.
Não se trata de um estudo de ética,mas o contexto geral do livro é culturalmente saudável e, nesse sentido,acho que complementa e ajuda a enquadrar outro tipo de considerações.
Pareceram-me pontos fundamentais deste livro:
- a explicação sobre a origem da tendência homossexual (que não ébiológica, mas psicológica; o hermafroditismo não gera tendência homossexual);
- a identificação da homossexualidade como um tipo particular de neurose,que se pode produzir em determinado período da adolescência emconsequência de certos tipos de personalidade e contextos familiares;
- acho muito útil a descrição das características da tendência homossexual, em particular o profundo sentido de infelicidade que estetipo de neurose ocasiona (a ponto de a taxa de suicídios entre oshomossexuais ser muito elevada) e a instabilidade emocional (a frequênciade troca de parceiros é estatisticamente alucinante, muito superior à dos maiores devaneios heterossexuais).
- Gostei dos conselhos que dá para os próprios e as famílias enfrentaremcom êxito esta situação. Julgo que o livro tem razão quando diz que o quemais perturba, numa situação, destas é a pessoa não compreender uma sériede coisas que pensa e sente.
Nesse sentido, estas explicações são úteis para se identificar o problema e perceber como se resolve.
Já me esquecia de indicar a referência bibliográfica!
Gerard van den Aarweg, «Homossexualidade e Esperança»,
ColecçãoDocumentos, Editora DIEL.O contacto da editora é:Av. Almirante Reis, 142 - 1º Dt.1150-023 LisboaTelf.: 21 352 2083Telf.: 93 552 2083
Autor: José Maria André
Recebida por e-mail
Josef Fritzl, a culpa e a confissão

A propósito do caso de Josef Fritzl, a Professora de Direito Fernanda Palma uma das professoras de Direito Penal e Processo penal de maior vanguarda da actualidade, escreveu um artigo de opinião muito interessante aqui.
O artigo aborda a questão da "culpa" que, como se sabe, tem a sua origem no Direito Canónico e, em muitas matérias, está na base do actual Direito Penal.
A questão do reconhecimento da culpa e do reconhecimento da gravidade dos actos praticados por nós faz-se por via da consciência, mas como diz a professora de Direito, há quem negue a responsabilidade dos próprios actos.
O seu pequeno artigo intitula-se "Inocente Culpabilidade" e, como diz a própria autora, "inspira-se no nome de uma colectânea de entrevistas de Marie de Solemne a autores importantes do pensamento filosófico e religioso, como Paul Ricoeur. Nesse livro, discute-se se não existirá, no nosso tempo, um sentimento excessivo de inocência, falta de culpa e impunidade."
(...)
"O livro assinala que a culpabilização em excesso é negativa, por destruir as pessoas, mas observa que as novas gerações ignoram a culpa. Citando Lacan, Ricoeur afirma que há duas patologias: não sair do sentimento de culpa e não entrar nele sequer. A primeira corresponde à neurose; a segunda à psicose."
E remata:
"Sentir a culpa, reconhecer o erro e viver com a dúvida constitui condição necessária para que cada um evolua e realize a sua personalidade. Se não ficar associada à neurose – mas antes à responsabilidade e ao desejo de melhorar –, tal capacidade é um passo no caminho da adesão individual à Justiça"
No caso de Frtizl, ele sempre recusou a gravidade e responsabilidade das monstruosidades por si praticadas.
Quando a nossa consciência vai perdendo sensibilidade tendemos a desculpabilizar ou pura e simplesmente apagar da nossa memória os actos negativos por nós praticados.
É como se colocássemos a porcaria debaixo do tapete e fingíssemos que continua tudo bem.
Pelo contrário, dizermos e descrevermos em voz alta o que fizémos mal ou ouvir alguém dizer e descrever, em voz alta, o que fizemos mal é meio caminho andado para o reconhecimento da nossa culpa e o sentimento de vergonha que lhe está associado poderá ser um contributo (eventualmente momentâneo) para o arrependimento e o propósito de emenda.
É por isso que, por exemplo, a Igreja Católica defende a confissão em voz alta das falhas de cada um, perante o confessor, como um dos primeiros passos para a validade do sacramento da chamada penitência.
Também no processo penal sou a favor da obrigatoriedade da presença do arguido na sala de audiências de forma a que, ouvindo e vendo a exteriorização do que foi feito, essa exibição ou reconstituição narrativa do seu comportamento possa contribuir para a assunção da sua culpa.
Assim, considero que só em casos muitos excepcionais é que o Juíz poderá dispensar a presença do arguido durante a fase de audiência de julgamento. É que se o fizer, estará a privá-lo de um excelente meio de reconhecimento de culpa e responsabilidade.
Este "voyeurismo" acaba por ser importante com vista à promoção da reintegração social do arguido e à realização da chamada "prevenção especial" que é uma das finalidades da aplicação da pena relacionada com a recuperação do culpado.
Neste sentido, diremos que esse "voyeurismo" fará, ele próprio, parte da aplicação da pena.
Se assim for, quer nas nossas falhas pessoais, quer na aplicação da Justiça Penal, será possível ultrapassar a fase da "negação" ou "desculpabilização" dos nossos actos.
Pelo contrário, se não há "extracção" e "exibição" dos nossos actos negativos e culposos, novos actos negativos e culposos se seguirão de forma maníaco-depressiva ou obssessiva.
Assim se explica a existência e manutenção do mal, presente desde os nossos vicios mais pequenos ou graves aos crimes mais violentos.
A este propósito, diz um santo da Igreja:
"Abyssus, abyssum invocat...", um abismo chama outro abismo, já to lembrei algumas vezes. É a descrição exacta do modo de se comportarem os mentirosos, os hipócritas, os renegados, os traidores: como se sentem incomodados com o seu próprio modo de ser, ocultam as suas trapaças, para irem de mal a pior, abrindo um precipício entre eles e o próximo. (Sulco, 338 - S.José Maria Escrivá de Balaguer)
Os erros dos árbitros
A recente final da Taça da Liga veio, a meu ver, confirmar, mais uma vez, a necessidade premente do recurso às novas tecnologias, incluindo, a mais básica de todas- a televisão, no futebol.
Ainda há uns dias atrás, a SIC lançava o debate e parecia que adivinhava o que se iria passar.
Acho que o árbitro também faz parte do jogo e há que contar com a sua margem de erro. Por outro lado, como alguém dizia, a propósito de outro jogo, se o Benfica ganhou um penalti, mesmo que errado, foi porque tinha um jogador com bola na pequena área e se isso assim foi é porque estava a atacar e se estava a atacar é porque teve algum mérito.
No entanto, penso que, pelo menos, em jogos de grande importância, tais como finais, eliminatórias, etc.. se o jogo for transmitido na televisão, deveria existir um 5º árbitro que, em caso de dúvida, pudesse esclarecer o árbitro no campo.
No caso concreto, quem viu pela tv pode constatar a inexistência de penalti. Teria sido muito fácil, que alguém, neste caso, um 5º árbitro pudesse comunicar com quem decide e o informasse das imagens televisivas.
Se assim fosse, ter-se-ia evitado mais um caso desportivo.
Mas como somos masoquistas e gostamos de complicar o que é fácil...
domingo, 22 de março de 2009
Os maus assessores de comunicação do Papa
A questão da imagem da Igreja tem também muito a ver com um problema de comunicação e expressão.
Nesse sentido, acho que o assessor de imprensa Joaquim Navarro-Vals, com experiência na área da psicologia e do jornalismo, com a vantagem de ser um leigo, era uma mais valia maior do que a do actual assessor Pe. Lombardi que, no entanto, merece-me todo o respeito.
Joaquim Navarro-Vals era uma homem charmoso, elegante, prudente, com uma boa imagem, leigo e um bom conhecedor da lógica dos "media", tendo sido, sem dúvida, um óptimo conselheiro do anterior Papa no que diz respeito à relação deste com os Media.
O Dr. Vals é também uma raposa velha que conhece bem todas as técnicas dos jornalistas e que as sabia antecipar com inteligência; era autoritário, protegendo o Papa dos excessos dos entrevistadores, mas, ao mesmo tempo, gozava de enorme simpatia entre os jornalistas acreditados junto do Vaticano.
Um leigo, ou uma leiga, bem preparado(a) tecnicamente quer ao nível da doutrina, quer ao nível das relações com os media e com uma boa imagem talvez servisse melhor a Igreja do que o actual Pe. Lombardi que tem tido uma prestação um pouco frouxa.
sábado, 21 de março de 2009
Papa, África e sexo
"Eu tenho um grande apreço pelo Papa Bento XVI que considero o maior exemplo vivo daquela figura que tenho aqui descrito em abstracto - o homem de elite da tradição católica. Aprecio nele o nível intelectual, a sua personalidade e a forma como governa a Igreja Católica, que é mais abrangente instituição que o mundo possui com 1.2 mil mihões de fieis, um quinto da população mundial, e uma voz de autoridade em relação a muitos outros.
O Papa é um intelectual de primeira categoria e um exímio doutrinador. Na sua posição anterior de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé - a parte da cúria romana que se ocupa das questões doutrinais da Igreja, anteriormente chamada Inquisição - e agora na sua condição de Papa, ele é o homem que, ao longo dos últimos 25 anos, mais do que qualquer outro, contribuiu para enformar a doutrina da Igreja e, em particular, corrigir os excessos resultantes do Concílio Vaticano II. Ele ficará na história da Igreja como um grande doutrinador.
Este Papa não ambiciona ser popular nem pretende uma Igreja popular. Ele quer, em primeiro lugar, uma Igreja verdadeira e isso significa pôr a verdade à frente da popularidade. Ele prefere uma Igreja pequena e verdadeira a uma Igreja grande e popular. Não devem surpreender, por isso, as suas declarações recentes acerca da ineficácia do preservativo para resolver o problema da sida. Esta é a verdade, embora uma verdade impopular.
As reacções não se fizeram esperar, começando nos países protestantes, e em particular com origem na ONU, onde muitas pessoas fazem vida de andar a distribuir preservativos em África e a acudir a pobreza, através de múltiplas ONG's financiadas com dinheiro dos outros. A governo espanhol , em conflito com o Vaticano por causa dos casamentos gay, fez questão de ser ofensivo e enviar um carregamento de preservativos para África. E até, por último, a nossa ministra da saúde não ficou calada. Sobre a sua reacção gostaria de escrever um parágrafo.
Existe uma grande propensão da mulher portuguesa para dizer aquilo que lhe vem à cabeça, reflectindo a falta generalizada de julgamento dos portugueses, mais acentuada nas mulheres do que nos homens. Este blogue fornece exemplos disso. Porém, quando se trata de falar em público, nunca um português, menos ainda uma portuguesa, ousa dizer alguma coisa antes que os outros o tenham dito. E foi isso que a nossa ministra fez. Falou mal, tarde e a más horas. Se tivesse estado calada nada se teria notado.
.Voltando ao Papa. Esta faceta de dizer a verdade e seguir impassível em frente, perante os agravos, os protestos e os insultos da multidão, é típica do Papa Bento XVI e é uma das características da sua personalidade que eu mais aprecio, em parte porque faz lembrar Cristo. Ele não está cá para agradar à multidão. Ele está cá para dizer a verdade, esperando que um dia a multidão reconheça a verdade. Aquilo que ele nunca irá fazer é deixar de dizer a verdade só para agradar à multidão. Este é o ponto.
Passemos à verdade. Claro que o preservativo não é uma solução eficaz para lidar com o problema da sida, e só o agrava. A única solução eficaz é a abstinência sexual envolvendo pessoas com sida, ou suspeitas de a ter. Não existe outra. O preservativo pode evitar o contágio numa relação sexual - e o Papa não nega isso -, mas encorajando e promovendo uma cultura de promiscuidade sexual, a prazo vai contribuir para aumentar a sida, não para a diminuir.
O africano que se habituou, porque a ONU lhe deu um stock de preservativos, a ter relações sexuais com sete mulheres diferentes por semana, quando os preservativos lhe faltarem e ele não tiver dinheiro para os comprar ou a ONU não estiver por perto para lhe dar mais, não vai deixar de continuar a visitar as sete mulheres por semana a que se habituou. E aqui surge o problema. Mais cedo ou mais tarde, este homem que começou por usar preservativos possui um elevado risco de acabar por morrer de sida.
Não é possível ter o melhor de dois mundos, sexo sem restricções e , ao mesmo tempo, ficar livre da sida no meio de uma população infectada em alto grau - mesmo com preservativos. Quem ambiciona o melhor de dois mundos incompatíveis, acaba normalmente por ficar com o pior dos dois. E o pior dos dois é ter sida e não ter sexo - isto é, morrer.
Porém, a mensagem de abstinência sexual que o Papa levou para África não é apenas a mensagem eficaz para lidar com o problema da sida. Ela é também a única mensagem verdadeira para lidar com um problema africano muito mais sério ainda - o problema da pobreza -, responsável todos os anos pela morte prematura de milhões de pessoas. A probreza em África, como em qualquer outro continente, é ainda um problema de cultura sexual.
A cultura sexualmente promíscua dos africanos, em que cada homem tem pelo menos seis mulheres e três filhos de cada uma, é a responsável directa pela pobreza do continente. Não existe pai de dezoito filhos num continente pobre que, por mais que trabalhe, consiga sustentar cada um dos filhos acima do nível de pobreza. Tanto mais quanto é certo que cada uma das mulheres de quem ele tem filhos é também mãe de filhos de outros pais, incentivando cada homem a empurrar para os outros o sustento dela e da sua numerosa prole, com o resultado final de que os homens generalizadamente não cuidam dos filhos.
Segue-se que a abstenção sexual, ou pelo menos uma enorme contenção, não é meramente a única solução eficaz para resolver o problema da sida. É também a única solução eficaz para resolver um problema muito mais grave - o da probreza."
O Papa é um intelectual de primeira categoria e um exímio doutrinador. Na sua posição anterior de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé - a parte da cúria romana que se ocupa das questões doutrinais da Igreja, anteriormente chamada Inquisição - e agora na sua condição de Papa, ele é o homem que, ao longo dos últimos 25 anos, mais do que qualquer outro, contribuiu para enformar a doutrina da Igreja e, em particular, corrigir os excessos resultantes do Concílio Vaticano II. Ele ficará na história da Igreja como um grande doutrinador.
Este Papa não ambiciona ser popular nem pretende uma Igreja popular. Ele quer, em primeiro lugar, uma Igreja verdadeira e isso significa pôr a verdade à frente da popularidade. Ele prefere uma Igreja pequena e verdadeira a uma Igreja grande e popular. Não devem surpreender, por isso, as suas declarações recentes acerca da ineficácia do preservativo para resolver o problema da sida. Esta é a verdade, embora uma verdade impopular.
As reacções não se fizeram esperar, começando nos países protestantes, e em particular com origem na ONU, onde muitas pessoas fazem vida de andar a distribuir preservativos em África e a acudir a pobreza, através de múltiplas ONG's financiadas com dinheiro dos outros. A governo espanhol , em conflito com o Vaticano por causa dos casamentos gay, fez questão de ser ofensivo e enviar um carregamento de preservativos para África. E até, por último, a nossa ministra da saúde não ficou calada. Sobre a sua reacção gostaria de escrever um parágrafo.
Existe uma grande propensão da mulher portuguesa para dizer aquilo que lhe vem à cabeça, reflectindo a falta generalizada de julgamento dos portugueses, mais acentuada nas mulheres do que nos homens. Este blogue fornece exemplos disso. Porém, quando se trata de falar em público, nunca um português, menos ainda uma portuguesa, ousa dizer alguma coisa antes que os outros o tenham dito. E foi isso que a nossa ministra fez. Falou mal, tarde e a más horas. Se tivesse estado calada nada se teria notado.
.Voltando ao Papa. Esta faceta de dizer a verdade e seguir impassível em frente, perante os agravos, os protestos e os insultos da multidão, é típica do Papa Bento XVI e é uma das características da sua personalidade que eu mais aprecio, em parte porque faz lembrar Cristo. Ele não está cá para agradar à multidão. Ele está cá para dizer a verdade, esperando que um dia a multidão reconheça a verdade. Aquilo que ele nunca irá fazer é deixar de dizer a verdade só para agradar à multidão. Este é o ponto.
Passemos à verdade. Claro que o preservativo não é uma solução eficaz para lidar com o problema da sida, e só o agrava. A única solução eficaz é a abstinência sexual envolvendo pessoas com sida, ou suspeitas de a ter. Não existe outra. O preservativo pode evitar o contágio numa relação sexual - e o Papa não nega isso -, mas encorajando e promovendo uma cultura de promiscuidade sexual, a prazo vai contribuir para aumentar a sida, não para a diminuir.
O africano que se habituou, porque a ONU lhe deu um stock de preservativos, a ter relações sexuais com sete mulheres diferentes por semana, quando os preservativos lhe faltarem e ele não tiver dinheiro para os comprar ou a ONU não estiver por perto para lhe dar mais, não vai deixar de continuar a visitar as sete mulheres por semana a que se habituou. E aqui surge o problema. Mais cedo ou mais tarde, este homem que começou por usar preservativos possui um elevado risco de acabar por morrer de sida.
Não é possível ter o melhor de dois mundos, sexo sem restricções e , ao mesmo tempo, ficar livre da sida no meio de uma população infectada em alto grau - mesmo com preservativos. Quem ambiciona o melhor de dois mundos incompatíveis, acaba normalmente por ficar com o pior dos dois. E o pior dos dois é ter sida e não ter sexo - isto é, morrer.
Porém, a mensagem de abstinência sexual que o Papa levou para África não é apenas a mensagem eficaz para lidar com o problema da sida. Ela é também a única mensagem verdadeira para lidar com um problema africano muito mais sério ainda - o problema da pobreza -, responsável todos os anos pela morte prematura de milhões de pessoas. A probreza em África, como em qualquer outro continente, é ainda um problema de cultura sexual.
A cultura sexualmente promíscua dos africanos, em que cada homem tem pelo menos seis mulheres e três filhos de cada uma, é a responsável directa pela pobreza do continente. Não existe pai de dezoito filhos num continente pobre que, por mais que trabalhe, consiga sustentar cada um dos filhos acima do nível de pobreza. Tanto mais quanto é certo que cada uma das mulheres de quem ele tem filhos é também mãe de filhos de outros pais, incentivando cada homem a empurrar para os outros o sustento dela e da sua numerosa prole, com o resultado final de que os homens generalizadamente não cuidam dos filhos.
Segue-se que a abstenção sexual, ou pelo menos uma enorme contenção, não é meramente a única solução eficaz para resolver o problema da sida. É também a única solução eficaz para resolver um problema muito mais grave - o da probreza."
Autor: Pedro Arroja, daqui
sexta-feira, 20 de março de 2009
Bento XVI e o dogma hipócrita do preservativo

A educação para a abstinência sexual ou a fidelidade será tão ineficaz, como já o é a educação para o uso do preservativo.
No Brasil, por exemplo, apesar dos milhões gastos na promoção dos preservativos, um estudo de 2005 revelou que 62% dos homens e 76,6% das mulheres da faixa etária dos 20 aos 24 anos não são adeptos do uso do preservativo porque dizem que“machuca ou incomoda ou simplesmente que não gostam” ou ainda que é como “chupar bala com papel”. Em S.Salvador, por exemplo, este ano, apesar da distribuição gratuíta e maciça de preservativos pelo governo Lula, os foliões demonstraram estarem-se literalmente “a marimbar” para o uso do preservativo, tendo-se verificado uma nova onda de contaminações.
Nos países ocidentais, o consumo de alcóol e drogas leves têm vindo a ser associados a falhas no uso do preservativo e há muitas pessoas intelectualmente esclarecidas, incluindo homossexuais, que defendem o uso do preservativo, mas depois não o usam e isto já para não falar no recrudescimento do fenómeno do barebacking.
O Estudo sobre os “Hábitos Anticoncepcionais das Mulheres que Abortam", feito ao longo de três meses em 2007, pelo Ministério da Saúde Espanhol concluí que, entre as mulheres cujos parceiros usam preservativo, 70% admitiram que o uso era esporádico, que o preservativo era mal colocado ou que houve problemas no seu uso. E, a esse propósito, um médico espanhol refere que muitas pessoas consideram que o preservativo interfere na espontaneidade da relação sexual. E, também em Espanha, um estudo efectuado por uma clínica abortista de Madrid revelou que cerca de 50% das mulheres que aí abortaram usaram como método contraceptivo o preservativo que falhou ou porque se rompeu ou porque foi mal colocado.
Perante estas falhas do preservativo, parece-me completamente histérica e desproporcionada a reacção do mundo anti-clerical às recentes palavras do Papa.
Aliás, como se refere aqui e bem se o mundo ocidental resiste ao uso do preservativo, apesar de todas as campanhas maçivas de informação e distribuição realizadas a esse respeito, como esperar que o mundo africano, onde existem graves carências ao nível mais básico, o faça ?
Se nenhum dos métodos de prevenção da SIDA, abstinência, fidelidade, preservativos é 100% eficaz não será melhor promovê-los em simultâneo e por ordem de preferência ?
P.S.1 - Mais um exemplo de hipocrisia:
"Em Yaoundé, em 1993, aconteceu a VII Reunião Internacional sobre a AIDS com especialistas médicos e de saúde. Foi uma reunião da qual participaram cerca de 300 congressistas, e se distribuiu ao final um questionário para que se indicasse, entre outras coisas, se se havia tido relações sexuais durante os três dias que durou a reunião com pessoas que não fossem parceiros estáveis.
Dos pesquisados, 28% responderam que sim, e destes, 30% disseram que não haviam tomado «precaução» alguma para evitar contágios.
«Se isso ocorre entre pessoas ‘conscientizadas’, o que ocorrerá entre as pessoas normais?», pergunta.
Dos pesquisados, 28% responderam que sim, e destes, 30% disseram que não haviam tomado «precaução» alguma para evitar contágios.
«Se isso ocorre entre pessoas ‘conscientizadas’, o que ocorrerá entre as pessoas normais?», pergunta.
P.S.2- A realidade católica em África mostra que esta discussão acerca das declarações polémicas do Papa Bento XVI no avião acerca do preservativo, com os insultos que se lhes seguiram, foram uma enorme perda de tempo.
terça-feira, 17 de março de 2009
Li e concordei
Sirva a crise para se perceber que Deus é o alimento espiritual, a Pátria a referência cultural e a Família o porto-de-abrigo
Daqui
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Sobre a capacidade dos portugueses improvisarem e trabalharem bem "lá fora"
"Mas se tecnicamente se destacam, onde a categoria Tuga vem ao de cima é nas soft skills: a rapidez com que se adaptam a trabalhar com culturas diferentes e a sua resistência à pressão - sobretudo situações de última hora - são impressionantes (ui o que eu vi sofrer americanos, alemães, chineses etc.). Alguém me contou lá esta história: "A fábrica perfeita é totalmente constituída por operários alemães e um português dentro de uma caixa de vidro, onde se lê "quebrar em caso de emergência"".
Formação pré-matrimonial
Hoje assistimos a uma situação contraditória onde, por um lado, quase já nos podemos divorciar por multibanco, mas onde, em contrapartida, pouco se fala em formação para o matrimónio ou para a educação dos filhos como medida preventiva de potenciais situações patológicas ao nível familiar que, na realidade, têm, por vezes, elevados custos para o Estado.
Ou seja, o Estado investe muito no facilitar o divórcio, mas praticamente nada investe no apoio à consolidação emocional, afectiva e económica das famílias.
A ocorrência de multíplos divórcios para além de prejudicar os próprios ex-marido e ex-mulher e os filhos dos casais desavindos é também um factor negativo para a economia, na medida em que fragiliza a capacidade económica das famílias tornando-as menos capazes de lidar com as suas dívidas ou impedindo-as de realizar investimentos, contribuindo desta forma para o fortalecimento da economia.
Situações como pagamento de prestações de alimentos, aumento do litígio judicial nos tribunais de família, acções judiciais de execução de hipotecas por incapacidade de pagamento das respectivas prestações bancárias, etc.. são umas, entre várias, das consequências negativas do divórcio. A isto há que acrescentar os muitos casos de possível insucesso escolar, toxicodependência, alcoolismo, acidentes de viação, etc. associados a efeitos colaterais do divórcio.Verifica-se que muitos casamentos ocorrem por mero impulso causado por uma ânsia de independência ou autonomia social, quando não mesmo, por mero folclore.
Verifica-se que muitos casais não estão preparados para as vicissitudes de uma vida em comum ou para o nascimento e educação dos filhos em face do stress e dos desafios laborais cada vez mais exigentes da sua carreira profissional e, em particular, há muitos casais a lidar muito mal com a conciliação entre família e profissão.
Urge, pois, apostar na formação pré-matrimonial, através de cursos de formação de preferência intensos, curtos e rápidos nos quais se deveria apostar no aprofundamento e análise de situações potenciais de crise matrimonial (por ex. lidar com os familiares do cônjuge, lidar com a gestão doméstica, lidar com a conciliação família-trabalho, lidar com os desafios da educação dos filhos, ausência de espaços temporais de reconciliação ou "refrescamento" do relacionamento no interior do casal, lidar com a gestão financeira familiar, ocupação dos tempos livres do casal, lidar com as várias crises de idade do homem e da mulher, etc.etc.), mas também de situações que possam estimular e consolidar o bom relacionamento afectivo e conjugal dos casais desde o início, passando pelo aparecimento dos filhos, até mais tarde.
O Estado deveria credenciar instituições de natureza privada, nomeadamente associações civis e comunidades religiosas no sentido destas ministrarem cursos de formação pré-matrimonial obviamente de carácter facultativo (já que o contrário seria de constitucionalidade duvidosa) e fazer campanhas de incentivo à frequência pelos nubentes desses mesmos cursos.
A economia, os filhos, o sucesso escolar e a felicidade e realização pessoal dos próprios agradeceriam.
Este e o post que lhe antecedeu foram sugestões escritas que deixei aqui.
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